terça-feira, 24 de maio de 2016

Eleições em boa hora

           O impeachment foi o grande estopim de uma crise política maquiada pelo crescimento econômico brasileiro de maneira falsa na primeira década do segundo milênio. O que o Brasil cresceu – em níveis socioeconômicos – durante os dois governos de Lula foi como uma construção de uma mansão em cima de um terreno sanitário: sem estrutura para aguentar o peso que se acarretou. A riqueza produzida foi se perpetuando apenas o mínimo que o povo deveria ganhar, tanto em valores salariais particulares quanto em investimento de verbas para o progresso da saúde, da segurança e da educação.
           A verdadeira riqueza produzida ficou na mão da classe política. Desvios e propinas do Mensalão, da Petrobrás, da Eletrobrás, e de inúmeras outras estatais, deixou apenas migalhas para quem realmente trabalha: nós. O lucro mesmo ficou para eles. Isso é um crescimento falso do país nos dois governos Lula.
          Não obstante, com uma presidente totalmente despreparada para continuar maquiando isso tudo no poder, os podres vieram à tona. Gastos excessivos e desproporcionais com Copa do Mundo e Olimpíadas, aliados aos empréstimos errôneos e compulsórios em bancos públicos levou a máquina governamental brasileira a colapsar, enquanto que a operação Lava-Jato demonstrava e punia com mãos de ferro todo o esquema de benefícios entre políticos e empresários. E cá estamos.
         Muito se fala em crise política e em presidentes ideais, formas de governo e etc, mas muitos se esquecem que, logo mais, estaremos votando mais uma vez. As eleições municipais ainda, ideologicamente, não possuem tanta importância e alarde como as eleições presidenciais e estaduais. Isso é um equívoco.
         Para o Brasil, eleições municipais são extremamente cruciais. São Paulo e Rio de Janeiro têm PIB equivalente a nível de outras nações, e seus respectivos prefeitos têm enorme poder. Além do mais, estas eleições vieram em boa hora. A mudança política que queremos ver em âmbito federal deve começar pela base: em âmbito municipal.
        Creio que esta crise fará o brasileiro ser diferente. Fará o povo fiscalizar o candidato em que votou e, mais importante, pesquisará até o histórico escolar deste antes de votá-lo. Essa é a grande herança destes tempos ruins: o povo acordou para a política.
         E isso tinha que acontecer. Por que o Brasil, apesar de toda riqueza natural e potência de trabalho, não se equipara aos países desenvolvidos? Pois o brasileiro não liga para a política. Ou pelo menos não ligava. Votávamos no candidato mais famoso e estava bom.  Se a inflação estava controlada e tinha emprego sobrando, estava mais do que perfeito. Mas, como disse, ninguém sabia que estávamos construindo uma mansão em terreno podre.
         Quem acompanha tudo o que está se desenrolando no Congresso, no Planalto e na Lava-Jato, sabe quem é mocinho e quem é bandido. Fique atento as siglas partidárias, ao nome do candidato e a ideologia a que ele pertence e prega. Vote em quem é de sua cidade, em quem tem capacidade de gerir seu município na Prefeitura e aqueles que tem poder e vontade de representar os anseios dos munícipes na Câmara dos Vereadores.
         As eleições municipais vieram em boa hora. O primeiro passo pós-impeachment em que o povo terá o pleno poder de decidir os ditames do Brasil e de suas cidades. Por maior que seja o prédio, este é constituído de pequenos tijolos e blocos, assim como um grande país é constituído de seus municípios. Vote bem, vote com inteligência; faça sua parte. Não adianta reclamar depois.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Mistérios e paixões - Uma análise de A Sombra do Vento

Creio não ter lido um livro que me marcasse tanto quanto A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón. Eu o li neste início de 2016 e, logo nas primeiras páginas, deparei-me com um estilo de escrita fantástico e envolvente. Um jeito hipnotizante de escrever, cuja maior arma é a tensão e adrenalina que o leitor sente ao ir absorvendo as informações que se passam nas linhas e nas entrelinhas desta obra-prima.

O livro faz parte de uma coleção chamada de O Cemitério dos Livros Esquecidos, que engloba mais outros dois livros: O Jogo do Anjo e O Prisioneiro do Céu, além de um outro título que o autor ainda não publicou – ou se realmente será publicado. Como adentrei o universo de Zafón há pouquíssimo tempo, comentarei apenas sobre A Sombra do Vento.
O Cemitério dos Livros Esquecidos é um lugar secreto de Barcelona, onde velhos livreiros se reúnem para discutir sobre literatura e salvar todos os títulos que encontrarem neste bunker de capas e páginas.
Daniel Sempere é um garoto jovem e é levado por seu pai, dono de uma livraria, a este tal cemitério. Ao conhecer o local, o menino se apaixona pela atmosfera literária e encontra um exemplar de um livro chamado “A Sombra do Vento”, de um escritor totalmente desconhecido e conterrâneo, chamado Julián Caráx. Daniel começa a devorar o enredo de seu mais novo livro e se apaixona completamente. Entretanto, há algo de estranho – nunca se ouviu falar do tal autor, Julián Caráx.
Daniel, no alto de sua juventude inquieta e sagaz, começa a investigar sobre quem foi Caráx, afinal, era também barcelonês. É aí que Zafón demonstra todo seu brilhantismo e magia, dando início a uma história alucinante.
O garoto Sempere adentra em uma aventura que irá deixar você, leitor, sem fôlego. É um universo de amor, ação, paixão, suspense e muito drama. Da primeira à última página, você se envolve diretamente com Daniel e tudo aquilo que ele vive. É um personagem que muitos – inclusive eu - se identificarão e terão um apreço muito grande.
A Sombra do Vento te leva por um caminho que não há mais voltas – o caminho da imaginação de Zafón. Esta obra, em particular, te fará refletir sobre amizades, amores, vontades, aquilo que se deve ou não fazer, e aquilo que se pode ou não fazer. Valores estarão em jogo, princípios e ética, além, claro, da própria vida. Ao longo deste enredo, diversos personagens ganham destaque e fazem com que os leitores entrem em um labirinto de emoções. Tudo isso por causa de uma simples pergunta: quem é Julián Caráx?
Para descobrir quem é este bucólico autor, mistérios tornam o caminho de Daniel tortuoso e medonho; histórias de mortes e fugas, dinheiro e poder. Daniel percebe que a solidão é uma escapatória de autoafirmação que consome o coração lenta e violentamente.
É um livro que indico para todos os amantes de um drama recheado de suspense. Possui uma escrita envolvente e madura. De paixões carnais a perseguições desenfreadas e tiros por Barcelona, Zafón é uma lenda viva e transcende isto nesta obra. Aconselho: leiam este livro e toda a coleção de O Cemitério dos Livros Esquecidos.
Eu, ainda, li apenas A Sombra do Vento, mas logo estarei devorando os outros dois já lançados. O quarto livro é, como a trama zafoniana, um mistério: não se sabe se realmente será lançado e, se for, quando o será. Resta-nos aguardar e se aventurar pelo mundo mágico e enigmático já publicado de Carlos Ruiz Zafón. 
Uma lenda viva: escritor barcelonês Carlos Ruiz Zafón

sábado, 14 de maio de 2016

Uma perspectiva - O Homem e a Terra

                O que dizer do Homem? Um ser que transforma o mundo e sua própria espécie; transforma outras espécies; até mesmo vírus e bactérias. O Homem é um ser incansável, revolucionário. Uma espécie rica internamente, com inúmeras raças e etnias particulares. Cada Homem contém em si um universo próprio.
                A humanidade caminha para onde? Qual o futuro que queremos deixar para os novos indivíduos do Homo sapiens e para a mãe Terra? Gaia nos observa diariamente, e nos observa destruindo a ela mesma e a nós próprios. O que será de nossa morada daqui uma década, meio século, um século, um milênio? Será caótica e apocalíptica?
                É inegável que transformações aconteçam naturalmente. É inegável que o Homem não é o único responsável pelas mudanças climáticas e geográficas. “Eras do Gelo” já se fixaram por milhões de anos na Terra; eventos meteorológicos já dizimaram infinitas espécies. Coisas que não vemos hoje em dia.
                O Homem aquece a Terra. Eleva torrencialmente, a partir da Revolução Industrial, a temperatura de sua própria morada. Nunca teremos mais uma Era do Gelo e, com isso, não seremos extintos morrendo todos congelados. Entretanto, até que ponto podemos aquecer o planeta? Qual o ponto de ebulição da Terra?
                Inegavelmente, o Homem é um ens sociale – um ser social. Sua necessidade biológica de precisar de demais indivíduos de sua própria espécie e de demais espécies, transcende para a necessidade sociológica de se interagir, mudar, crescer. Não somente em relação a outros seres, mas com o maior deles: a Terra.
                O Homem muda o planeta não somente porque deseja se desenvolver, mas porque é um bicho inquieto; formulado antropologicamente para sobreviver, afinal, Homo sapiens conseguiu vencer a batalha hominídea pela supremacia de sua raça na Terra, derrotando o “Homem de Neandertal” e demais subespécies.
                Chegamos em 2016 num mundo virtual-real: a realidade perpetua em meios digitais. Essa evolução tecnológica nos levou a uma qualidade de vida nunca antes vista na  Humanidade; e está, em tese, sempre melhorando. Não sejamos ingênuos de pensar que tudo é uma maravilha, afinal, somos inquietos: até gostamos de causar problemas para agitar a vida.
                O importante é nunca parar. Nunca estagnar. Nunca se dar por satisfeito. E isso deve ser levado para a análise de nossa própria casa. Temos que levar desenvolvimento também para a mãe Terra, afinal, se Gaia morrer, o que será de nós?

                Cuide bem do mundo. Ele não é descartável e nem infinito. Descartável e infinito, para o Universo, é essa espécie de bicho inquieto que muitas vezes só atrapalha.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Letras, palavras e mudanças

A escrita é poderosa. As palavras emanam uma força invisível que somente aqueles que realmente a conhecem podem perceber de fato. Nas entrelinhas dos textos, pensamentos são difundidos e transmitidos, tão fatais quanto doenças epidêmicas. Aqueles que formam opiniões e difundem informação devem saber utilizar muito bem a escrita, a fim de proporcionar desenvolvimento cultural e intelectual.
            Com palavras, pode-se mudar pessoas; com pessoas, muda-se o mundo. A escrita tem papel fundamental na propagação do bem-estar e do progresso humano. Por meio de poemas, cartas, livros, artigos, a humanidade transformou-se e a fez se desenvolver de uma maneira transcendental e hipnotizante. Conhecimentos foram repassados, escritos, traduzidos, difundidos. O mundo se moldou à medida que a escrita se infiltrou no cotidiano do Homem.
            No mundo contemporâneo, a escrita se dinamizou e se digitalizou. A partir disso, uma nova era da informação se instalou no intelecto do Homo sapiens, fazendo-o abrir cada vez mais portas para o conhecimento e, por consequência, para mudanças físicas e antropológicas.

            A escrita é versátil, mutável, sólida e ardente.

Cartão de visita

Olá! Este blog terá como objetivo maior informar e entreter aqueles que estiverem dispostos a pesquisarem e se dedicarem ao conhecimento humanístico, que tanta falta faz nos dias de hoje. Será um espaço onde escreverei sobre História, política, Direito, Moral, Geografia, Literatura, Ética, Sociologia, Filosofia e cultura moderna em geral. Será lugar de crônicas, resenhas, análises e informações para enriquecer o acervo cultural de cada um. É importante também salientar que este blog vem para contrastar o que muito se vê nos dias atuais sobre cultura e informação doutrinadas. Façam bom proveito!