O
impeachment foi o grande estopim de
uma crise política maquiada pelo crescimento econômico brasileiro de maneira
falsa na primeira década do segundo milênio. O que o Brasil cresceu – em níveis
socioeconômicos – durante os dois governos de Lula foi como uma construção de
uma mansão em cima de um terreno sanitário: sem estrutura para aguentar o peso
que se acarretou. A riqueza produzida foi se perpetuando apenas o mínimo que o
povo deveria ganhar, tanto em valores salariais particulares quanto em
investimento de verbas para o progresso da saúde, da segurança e da educação.
A verdadeira riqueza produzida ficou
na mão da classe política. Desvios e propinas do Mensalão, da Petrobrás, da
Eletrobrás, e de inúmeras outras estatais, deixou apenas migalhas para quem
realmente trabalha: nós. O lucro mesmo ficou para eles. Isso é um crescimento
falso do país nos dois governos Lula.
Não obstante, com uma presidente
totalmente despreparada para continuar maquiando isso tudo no poder, os podres
vieram à tona. Gastos excessivos e desproporcionais com Copa do Mundo e Olimpíadas,
aliados aos empréstimos errôneos e compulsórios em bancos públicos levou a
máquina governamental brasileira a colapsar, enquanto que a operação Lava-Jato
demonstrava e punia com mãos de ferro todo o esquema de benefícios entre
políticos e empresários. E cá estamos.
Muito se fala em crise política e em
presidentes ideais, formas de governo e etc, mas muitos se esquecem que, logo
mais, estaremos votando mais uma vez. As eleições municipais ainda,
ideologicamente, não possuem tanta importância e alarde como as eleições
presidenciais e estaduais. Isso é um equívoco.
Para o Brasil, eleições municipais
são extremamente cruciais. São Paulo e Rio de Janeiro têm PIB equivalente a
nível de outras nações, e seus respectivos prefeitos têm enorme poder. Além do
mais, estas eleições vieram em boa hora. A mudança política que queremos ver em
âmbito federal deve começar pela base: em âmbito municipal.
Creio que esta crise fará o
brasileiro ser diferente. Fará o povo fiscalizar o candidato em que votou e,
mais importante, pesquisará até o histórico escolar deste antes de votá-lo.
Essa é a grande herança destes tempos ruins: o povo acordou para a política.
E isso tinha que acontecer. Por que
o Brasil, apesar de toda riqueza natural e potência de trabalho, não se
equipara aos países desenvolvidos? Pois o brasileiro não liga para a política.
Ou pelo menos não ligava. Votávamos no candidato mais famoso e estava bom. Se a inflação estava controlada e tinha
emprego sobrando, estava mais do que perfeito. Mas, como disse, ninguém sabia
que estávamos construindo uma mansão em terreno podre.
Quem acompanha tudo o que está se
desenrolando no Congresso, no Planalto e na Lava-Jato, sabe quem é mocinho e
quem é bandido. Fique atento as siglas partidárias, ao nome do candidato e a
ideologia a que ele pertence e prega. Vote em quem é de sua cidade, em quem tem
capacidade de gerir seu município na Prefeitura e aqueles que tem poder e
vontade de representar os anseios dos munícipes na Câmara dos Vereadores.
As eleições municipais vieram em boa
hora. O primeiro passo pós-impeachment em que o povo terá o pleno poder de
decidir os ditames do Brasil e de suas cidades. Por maior que seja o prédio,
este é constituído de pequenos tijolos e blocos, assim como um grande país é
constituído de seus municípios. Vote bem, vote com inteligência; faça sua
parte. Não adianta reclamar depois.

