domingo, 8 de janeiro de 2017

Sufocado



 O que é superar senão se tornar mais forte que o seu problema? O que é superar senão olhar para frente e deixar de olhar para trás? O que é superar senão ter a certeza de que o amanhã sempre vem, de um jeito ou de outro? É difícil encarar as situações ruins de nossas vidas e pior ainda é ter que encarar a nós mesmos diante do espelho.
            O ano muda, as estações mudam, a temperatura muda; e por que é tão difícil que nós mudemos? Por que é tão complicado nos doarmos mais e deixarmos de ser tão egoístas? Será o narcisismo o pior mal do ser Humano? Creio que todos nós sejamos narcisistas e egoístas, sempre pensando em nosso próprio bem-estar, não importando o nosso semelhante. Entretanto, existem pessoas que controlam seus demônios interiores para que estes não machuquem quem está perto de nós.
          O medo de que tudo dê errado persegue as novas gerações como o grande problema do século. Cada vez mais pessoas fazem terapias com psicólogos, psiquiatras; cada vez mais as pessoas têm ataques e saem atirando contra multidões, passando com caminhão por cima de pessoas inocentes, explodindo carros e até a si mesmas. Com qual objetivo? Espalhar terror? Pregar uma ideologia assassina? Não. Para liberar os demônios que as caçam dentro de suas próprias cabeças.
            Afirmo que todo escritor ou pensador seja tão louco quanto os maníacos que atacam inocentes nestes atentados de lobos solitários, com traumas reprimidos de infância e todo o resto. A única diferença é que nós, pseudo-intelectuais, atacamos com palavras, atacamos com pensamentos no papel, na tela de um computador ou apenas no nosso imaginário. É só este pequeno detalhe que nos separa da insanidade descontrolada. E, convenhamos, nem sempre conseguimos controlar, não é mesmo?
            É triste ver como o fantasioso mundo pós-Guerra Fria esteja tão fadado à loucura. Imaginou-se que os confrontos mortais do ocidente fossem deixar o planeta Terra numa onda de paz e amor, que todos os povos iriam se amar, que todas as culturas se entenderiam e se influenciariam beneficamente como em uma monstruosa alucinação helênica. Pois bem, e cá estamos nós, em 2017, algumas décadas depois da queda da União Soviética: ameaças de grupos terroristas, guerras civis no Oriente Médio, política tradicional fracassada, crise de imigração, superbactérias, degradação do meio-ambiente e por aí vai. Isso que eu chamo de paz e amor.
            Os noticiários, diariamente, estampam manchetes sensacionalistas, manchetes que só mostram a desgraça da sociedade humana moderna. Será que não sobrou nada de bom em nós? Será que, por fim, somos apenas um pedaço de carne que não consegue controlar as próprias ações? Será que não somos nada além de selvageria e insanidade? São tantas indagações que às vezes me sufoco.
           Espero, de todo o coração, que daqui alguns séculos nossa espécie tenha superado determinados problemas vitais de nossa geração. Espero que tenha superado a pior de todas as catástrofes: o descontrole da própria mente. Apesar de todos os pesares, a esperança ainda se mantém como a mais letal arma do ser Humano.

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