domingo, 16 de abril de 2017

13 Reasons Why: adolescência e vulnerabilidade

            

            13 reasons why não é apenas mais uma série que estourou o noticiário mundial; não é apenas mais um roteiro que trata de assuntos dramáticos. Esta série é um expoente que exemplifica de maneira cinematográfica a vida de milhares de adolescentes mundo afora.
            O roteiro é adaptado do livro homônimo do escritor Jay Asher, entretanto, falarei apenas da produção encabeçada pela artista Selena Gomez.
            A história acompanha uma adolescente, Hannah Baker, que se muda para uma cidade pequena por causa dos negócios do pai – um farmacêutico. Com isso, ela começa a estudar em uma nova escola, Liberty High, e todo o pesadelo se inicia. O debate, entretanto, foge das telas da televisão e adentra a sociedade civil como um tabu a ser discutido com o objetivo maior de ajudar aquelas pessoas que se encontram no mesmo lugar de Hannah.
            Como já disse em outro texto, o ser humano moderno está psicologicamente enfraquecido e perdido, e o suicídio é um fato psicossocial que atinge a população mundial de maneira arrebatadora. O pior: o suicídio é o segundo fator que mais causa mortes entre jovens de 15 a 29 anos, atrás apenas dos acidentes de trânsito.
            Por esta razão, o pensamento suicida deve ser estudado e debatido. Como retratado na série, o bullying é o grande vilão entre os adolescentes. O ambiente de Ensino Médio (High school) é o grande propulsor destes acontecimentos. A adolescência é o período mais conturbado de um ser humano; são mudanças hormonais que levam a pessoa a se sentir perdida, com os medos cada vez mais ganhando força, além da insegurança e das frustrações. Fortes desilusões, brincadeiras de mau gosto, tudo isto para um adolescente psicologicamente vulnerável pode ser o estopim para o pensamento suicida.
            Assim como para Hannah, a vontade de tirar a própria vida vem acompanhada de muitos porquês. Uma pessoa ruim, amizades falsas, traições, fofocas, entre outros. Muitos desses problemas podem passar despercebido e a responsabilidade de cuidar destes imbróglios cabe à escola e à família.
            Muitos dos alunos que influenciaram de maneira negativa a vida de Hannah se sentem culpados, uns sentem remorso e, também, alguns são indiferentes. Após o suicídio, a escola inicia um processo de auxílio psicológico efetivo aos alunos, muito por conta do reconhecimento de culpa moral e do processo legal principiado pelos pais de Hannah.
            Na vida real, as políticas governamentais, estudantis e civis devem ser feitas antes de qualquer ato suicida. O remediar parece ser muito mais fácil que o prevenir, entretanto, nada feito post mortem irá, de fato, ajudar quem já tirou a própria vida; para isso deve-se priorizar as atividades de prevenção.
            Grupos de apoio, atividades dinâmicas de interação, aliadas a um debate sério e um acompanhamento psicossocial são propostas que trazem efeitos e previnem o suicídio – bem como outros problemas na vida do adolescente, tal qual a depressão.
            Por fim, 13 reasons why pode ser uma vanguarda iniciada no meio artístico para sanar um problema social e sanitário. O suicídio é uma calamidade que atinge a raça humana especialmente no século XXI, um século que nos tornou uma espécie vulnerável e fragmentada psicologicamente. 

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