Falar
que o Brasil está em crise já é clichê nos últimos dois anos e meio. Uma
péssima gestão levou o país a uma crise fiscal, que destruiu a nossa economia e
levou, por consequência, a uma crise política e moral. Enquanto o presente é
duvidoso e o futuro incerto, o passado já está consolidado: a gestão Dilma
faliu o país e, por crimes de responsabilidade, a presidente foi deposta via
processo de impeachment. O que
devemos ter em mente agora é o que virá: a mudança e a melhora.
Os anos de PT no poder (2003 – 2016)
foram uma época de políticas inteiramente de viés esquerdista: assistencialismo
como forma de se manter no poder; enriquecimento de uma elite bancária e
empresarial que financiasse o partido; impostos altos e excesso de taxas,
tirando o poder de enriquecimento da população; burocracia esquematizada e em
demasia para controlar com punhos de ferro a economia e tirar a liberdade
econômica do cidadão e dos empresários de pequeno e médio porte. É fato que
todo o sucesso do governo Lula e Dilma foi proveniente de uma estabilização
econômica que surgiu a partir do Plano Real (1993 – 1994) de Fernando Henrique
Cardoso bem como de sua gestão como presidente (1995 – 2003). Falar o contrário
disso é puro desconhecimento técnico.
Imagine que você, dono de uma
fazenda, plantasse hoje alguma cultura. Você, não querendo mais a fazenda, a
doa para algum conhecido. Este, após algum tempo, começa a colher muitos frutos
e riquezas, e todos o aclamam como um ótimo cultivador. Foi ele o responsável
por tudo o que foi colhido? Qual é a sua parcela de contribuição? Foi
exatamente isso o que houve no período Lula: colheu tudo aquilo que FHC havia
plantado.
Por outro lado, o PT implantou uma
hegemonia comunista no intelecto dos pensadores, artistas e estudantes
brasileiros, utilizando-se da revolução cultural de Antônio Gramsci. Durante o Regime
Civil-Militar (1964 – 1985), a esquerda nacional tentou implantar o comunismo
através da luta armada de classes, teorizada por Karl Marx e posta em prática
por Vladimir Lênin na antiga URSS, instalando o terror em solo nacional. Graças
aos militares, isso não aconteceu. Mudando de tática, a esquerda conseguiu de
maneira mais sutil, entretanto, mais maligna e eficaz, implantar esta ideologia
seguindo os preceitos de Gramsci e até mesmo da Escola de Frankfurt.
Este foi o saldo do PT: colheu bons
frutos plantados na década de 90 e infiltrou, sorrateiramente, o pensamento
comunista em todos os setores da sociedade e do poder público – a sorte foi que
não tornaram o comunismo como forma de governo. Apesar disso, conseguiram
criar uma liga continental da esquerda, unindo todos os ditadores comunistas da
América Latina: o famoso Foro de São Paulo - http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/america-latina/conheca-o-foro-de-sao-paulo-o-maior-inimigo-do-brasil/
-, uma organização globalista que tenta, por meio da luta armada leninista ou
pelo marxismo cultural gramsciano, promover e consolidar o comunismo.
A grande fonte libertadora deste
pensamento é a internet. Ela é a Princesa Isabel do século XXI; consegue-se
saber a verdade por meio dela e apenas por meio dela. A História possui
infinitos lados e quando se expõe apenas um, há uma lobotomia de pensamento. Tudo isso é o prólogo da real
analise de que se deve fazer sobre o Brasil: o que virá agora?
O Brasil possui uma política, em uma
análise geral, progressista. Pelo espectro político, são poucos os partidos que sejam verdadeiramente de direita. Você muito
se engana ao achar que o PSDB seja de direita, caro leitor. A social-democracia
é uma ideologia de esquerda, vinculada a políticas progressistas. No cenário
nacional, nenhum partido está fundamentalmente engajado em bandeiras conservadoras.
São poucos – e fracos - os que se
encontram à direita do espectro, como por exemplo o PSC, o PRTB e o NOVO. E
isso foi o que levou o país ao terrível quadro já citado.
Neste novo governo, que terá quase
dois anos para acertar o Brasil, é regida por um partido de centro. O PMDB é um
partido que não cai nem para um lado e nem para o outro, procura mesclar
progressismo com conservadorismo. De fato, no Brasil, a esquerda é bem
dividida: tem sua ala radical – representada pelos comunistas – e sua ala
moderada – representada pelos progressistas em geral. Mas, porque a esquerda
está transtornada com o fim do mandato do PT?
Aí está um ponto que torna a
política brasileira bem mais complexa do que ela realmente aparenta. Por aqui,
muitos partidos de esquerda adotam políticas de direita e vice-versa. O governo
FHC, do PSDB, foi uma grande gestão liberal, tornando a economia mais dinâmica
e potente; isso fez com que, na mente do cidadão comum, tornasse o PSDB de
direita. Entretanto, quando se estuda a fundo, sabe-se que este partido é, sim,
de esquerda.
Michel Temer é um homem letrado e
muito bem formado; jurista, professor universitário, escritor e já atuou em
inúmeros cargos públicos de suma importância, como, por exemplo, secretário de
Segurança Pública de São Paulo e Presidente da Câmara dos Deputados.
Seu governo deverá ter, a priori, uma renovação liberal do
Brasil. O Estado de Bem-estar Social – uma visão econômica keynesiana - provou-se
aqui, bem como na quase totalidade dos países que a adotaram, que é inviável e
economicamente insustentável. Esta teoria socioeconômica que está inserida em nossa
Constituição e que foi gerida de maneira pura e literal pelo PT durante 13 anos
levou a máquina pública brasileira a um total colapso. E, isso tudo, com o
tempero marcante da corrupção – que não escolhe partido nem ideologia.
Por essa razão é que o PMDB, de
centro, tenderá nesta gestão alinhar-se ao liberalismo econômico, como o PSDB o
fez na década de 90, visando tirar o país do sufoco. E, para que o crescimento
não pare, as próximas gestões precisarão trilhar o mesmo caminho. Temer montou
sua equipe ministerial com muito estudo e análise política. Pontuo dois
ministérios como os mais importantes nesta fase de mudança de
ideologia: o Ministério da Fazenda e o Ministério das Relações Exteriores.
Já é bem sabido que a gestão
econômica de Dilma fracassou de maneira ridícula e que, desde o governo Lula,
nossas relações internacionais se mostraram extremamente alinhadas a ditaduras
comunistas e demais regimes fascistas. Temer, a fim de escrever uma nova
página, ou melhor, um novo livro sobre o Brasil, mudou radicalmente a
administração destes dois ministérios.
A Fazenda está trabalhando
arduamente, em parceira com o Banco Central – atitude que faltou nos últimos
seis anos – para uma reforma econômica e um ajuste fiscal. Como o Estado de
Bem-Estar Social provou-se ineficaz em sua pura teoria posta em prática,
reformas como o da previdência e das leis trabalhistas devem ser feitas e,
provavelmente, serão feitas. A cada ano que passa o ser humano vive mais e
mais. Por esta razão, que implica simples leis da matemática algébrica, deve-se
mudar os cálculos da aposentadoria e, principalmente, no que se refere a idade.
No que tange as nossas leis trabalhistas, estas foram promovidas durante a
ditadura de Getúlio Vargas (1937 – 1945). Getúlio era, como a historiografia
postula muito bem, um assíduo admirador do fascista Benito Mussolini que
arrasou a Itália, matando oposicionistas políticos e civis, propondo uma
coletivização do trabalho em prol do Estado.
A CLT implica uma burocratização
normativa na relação empregado-empregador. É fato que, quanto mais empecilhos na
hora de contratar e despedir, menos serão os empregos gerados em um país, e
menos será o PIB deste perto do que poderia ser se acaso não houvesse todos
esses embargos trabalhistas. Max Weber, brilhante sociólogo e economista
alemão, ao produzir estudos sobre a sociedade ocidental, enfatizou que um país
eficaz passa por uma burocratização mínima e dinâmica para que o capitalismo
produza riquezas em todos os âmbitos sociais. O que se passa no Brasil, muito
por conta da CLT, é justamente o excesso de burocracia impedindo uma massiva
produção de riqueza, aumentando a desigualdade social. É por isso que o governo
Temer quer – e precisa – modernizar
as leis do trabalho. Caro leitor, leia bem: modernizar,
e não extinguir.
São estes os dois pontos principais da
Fazenda que virão nesta gestão Temer – aliados, claro, ao teto de gastos. Medidas
que são extremamente impopulares, mas que, ao mesmo tempo, são precisamente
essenciais para que o país cresça de maneira organizada e bem regulada. Já
pelas Relações Exteriores, o comportamento do agora “Chanceler” José Serra
mostra que, realmente, Temer está tentando mudar a ideologia política do Brasil,
ideologia esta explicada parágrafos acima. Fazendo um trabalho ideológico
contra os comunistas da Venezuela, Cuba, El Salvador, Moçambique, dentre
outros, Serra demonstra que o Brasil está tentando se desvencilhar de uma
hegemonia de pensamento que se instalou a partir de 2003. O Brasil deverá estreitar
laços econômicos com parceiros economicamente desenvolvidos, como Estados
Unidos, Inglaterra, Colômbia, Argentina e até mesmo a China.
José Serra precisa mudar a imagem do
Brasil no exterior. O país possui uma imagem de submissão diplomática e que
atrasa nosso desenvolvimento. Sempre em cima do muro em decisões importantes, o
Brasil sempre é tido como um lugar de festa e baderna. Logo nos
primeiros meses o Itamaraty mudou a política ministerial, tentando colocar o
Brasil no cenário internacional como um país sério, democrático e com
instituições fortes.
Michel Temer, logo após tomar a
posse solene como presidente, viajou à China para fazer relações
diplomáticas com a cúpula do G20. Isso já
demonstra que, em apenas um dia como Presidente efetivo, já articulou mais
relações econômicas que Dilma em seis tortuosos anos. Com o dólar se
estabilizando e a Bovespa subindo – cenário já corriqueiro desde o governo
interino, antes da votação em plenário no Senado -, cria-se um ambiente
propício para que multinacionais fiquem interessadas em retomar investimento
em solo brasileiro. Este ambiente é propiciado em sua maioria pela política
monetária vinda do Banco Central, presidida agora pelo economista Ilan
Goldfajn, que trata as contas do governo com tecnicidade e eficácia
impressionantes. Uma política monetária transparente e realista é terra fértil
para investidores – terra esta que faltou na gestão Dilma.
A
questão maior é que todo esse cenário econômico tem que se sustentar por muito
mais que quatro ou cinco meses; há muito chão ainda por vir para que a pior
recessão econômica de nossa história seja superada. Temer e toda sua gestão tem
pela frente desafios políticos e cíveis. Enfrentar a polarização da nação, a crise
política e econômica não será fácil, sem contar os problemas que sempre nos
assombraram: educação, saúde e segurança pública. Ainda por cima tem, também, o
trabalho mais difícil a ser feito: retirar da sociedade civil a ideologia
fracassada que se instalou sorrateiramente e que traduz em tragédia suas
teorias.
É
isso o que está por vir nesta nova fase. Seriedade, realidade e competência são
os três pilares que deverão – e devem
– ser a base para uma reforma administrativa do governo federal. Cabe, ao povo,
apoiar aquilo que é visivelmente necessário e, nas urnas, escolher pessoas que
realmente tenham o mérito de possuir o título de Presidente da República
Federativa do Brasil.