quarta-feira, 7 de setembro de 2016

O que houve e o que está por vir?



      Falar que o Brasil está em crise já é clichê nos últimos dois anos e meio. Uma péssima gestão levou o país a uma crise fiscal, que destruiu a nossa economia e levou, por consequência, a uma crise política e moral. Enquanto o presente é duvidoso e o futuro incerto, o passado já está consolidado: a gestão Dilma faliu o país e, por crimes de responsabilidade, a presidente foi deposta via processo de impeachment. O que devemos ter em mente agora é o que virá: a mudança e a melhora.
      Os anos de PT no poder (2003 – 2016) foram uma época de políticas inteiramente de viés esquerdista: assistencialismo como forma de se manter no poder; enriquecimento de uma elite bancária e empresarial que financiasse o partido; impostos altos e excesso de taxas, tirando o poder de enriquecimento da população; burocracia esquematizada e em demasia para controlar com punhos de ferro a economia e tirar a liberdade econômica do cidadão e dos empresários de pequeno e médio porte. É fato que todo o sucesso do governo Lula e Dilma foi proveniente de uma estabilização econômica que surgiu a partir do Plano Real (1993 – 1994) de Fernando Henrique Cardoso bem como de sua gestão como presidente (1995 – 2003). Falar o contrário disso é puro desconhecimento técnico.
      Imagine que você, dono de uma fazenda, plantasse hoje alguma cultura. Você, não querendo mais a fazenda, a doa para algum conhecido. Este, após algum tempo, começa a colher muitos frutos e riquezas, e todos o aclamam como um ótimo cultivador. Foi ele o responsável por tudo o que foi colhido? Qual é a sua parcela de contribuição? Foi exatamente isso o que houve no período Lula: colheu tudo aquilo que FHC havia plantado.
      Por outro lado, o PT implantou uma hegemonia comunista no intelecto dos pensadores, artistas e estudantes brasileiros, utilizando-se da revolução cultural de Antônio Gramsci. Durante o Regime Civil-Militar (1964 – 1985), a esquerda nacional tentou implantar o comunismo através da luta armada de classes, teorizada por Karl Marx e posta em prática por Vladimir Lênin na antiga URSS, instalando o terror em solo nacional. Graças aos militares, isso não aconteceu. Mudando de tática, a esquerda conseguiu de maneira mais sutil, entretanto, mais maligna e eficaz, implantar esta ideologia seguindo os preceitos de Gramsci e até mesmo da Escola de Frankfurt.
      Este foi o saldo do PT: colheu bons frutos plantados na década de 90 e infiltrou, sorrateiramente, o pensamento comunista em todos os setores da sociedade e do poder público – a sorte foi que não tornaram o comunismo como forma de governo. Apesar disso, conseguiram criar uma liga continental da esquerda, unindo todos os ditadores comunistas da América Latina: o famoso Foro de São Paulo - http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/america-latina/conheca-o-foro-de-sao-paulo-o-maior-inimigo-do-brasil/ -, uma organização globalista que tenta, por meio da luta armada leninista ou pelo marxismo cultural gramsciano, promover e consolidar o comunismo.
      A grande fonte libertadora deste pensamento é a internet. Ela é a Princesa Isabel do século XXI; consegue-se saber a verdade por meio dela e apenas por meio dela. A História possui infinitos lados e quando se expõe apenas um, há uma lobotomia de pensamento. Tudo isso é o prólogo da real analise de que se deve fazer sobre o Brasil: o que virá agora?
      O Brasil possui uma política, em uma análise geral, progressista. Pelo espectro político, são poucos os partidos que sejam verdadeiramente de direita. Você muito se engana ao achar que o PSDB seja de direita, caro leitor. A social-democracia é uma ideologia de esquerda, vinculada a políticas progressistas. No cenário nacional, nenhum partido está fundamentalmente engajado em bandeiras conservadoras. São poucos – e fracos -  os que se encontram à direita do espectro, como por exemplo o PSC, o PRTB e o NOVO. E isso foi o que levou o país ao terrível quadro já citado.
      Neste novo governo, que terá quase dois anos para acertar o Brasil, é regida por um partido de centro. O PMDB é um partido que não cai nem para um lado e nem para o outro, procura mesclar progressismo com conservadorismo. De fato, no Brasil, a esquerda é bem dividida: tem sua ala radical – representada pelos comunistas – e sua ala moderada – representada pelos progressistas em geral. Mas, porque a esquerda está transtornada com o fim do mandato do PT?
      Aí está um ponto que torna a política brasileira bem mais complexa do que ela realmente aparenta. Por aqui, muitos partidos de esquerda adotam políticas de direita e vice-versa. O governo FHC, do PSDB, foi uma grande gestão liberal, tornando a economia mais dinâmica e potente; isso fez com que, na mente do cidadão comum, tornasse o PSDB de direita. Entretanto, quando se estuda a fundo, sabe-se que este partido é, sim, de esquerda.
      Michel Temer é um homem letrado e muito bem formado; jurista, professor universitário, escritor e já atuou em inúmeros cargos públicos de suma importância, como, por exemplo, secretário de Segurança Pública de São Paulo e Presidente da Câmara dos Deputados.
      Seu governo deverá ter, a priori, uma renovação liberal do Brasil. O Estado de Bem-estar Social – uma visão econômica keynesiana - provou-se aqui, bem como na quase totalidade dos países que a adotaram, que é inviável e economicamente insustentável. Esta teoria socioeconômica que está inserida em nossa Constituição e que foi gerida de maneira pura e literal pelo PT durante 13 anos levou a máquina pública brasileira a um total colapso. E, isso tudo, com o tempero marcante da corrupção – que não escolhe partido nem ideologia.
      Por essa razão é que o PMDB, de centro, tenderá nesta gestão alinhar-se ao liberalismo econômico, como o PSDB o fez na década de 90, visando tirar o país do sufoco. E, para que o crescimento não pare, as próximas gestões precisarão trilhar o mesmo caminho. Temer montou sua equipe ministerial com muito estudo e análise política. Pontuo dois ministérios como os mais importantes nesta fase de mudança de ideologia: o Ministério da Fazenda e o Ministério das Relações Exteriores.
      Já é bem sabido que a gestão econômica de Dilma fracassou de maneira ridícula e que, desde o governo Lula, nossas relações internacionais se mostraram extremamente alinhadas a ditaduras comunistas e demais regimes fascistas. Temer, a fim de escrever uma nova página, ou melhor, um novo livro sobre o Brasil, mudou radicalmente a administração destes dois ministérios.
      A Fazenda está trabalhando arduamente, em parceira com o Banco Central – atitude que faltou nos últimos seis anos – para uma reforma econômica e um ajuste fiscal. Como o Estado de Bem-Estar Social provou-se ineficaz em sua pura teoria posta em prática, reformas como o da previdência e das leis trabalhistas devem ser feitas e, provavelmente, serão feitas. A cada ano que passa o ser humano vive mais e mais. Por esta razão, que implica simples leis da matemática algébrica, deve-se mudar os cálculos da aposentadoria e, principalmente, no que se refere a idade. No que tange as nossas leis trabalhistas, estas foram promovidas durante a ditadura de Getúlio Vargas (1937 – 1945). Getúlio era, como a historiografia postula muito bem, um assíduo admirador do fascista Benito Mussolini que arrasou a Itália, matando oposicionistas políticos e civis, propondo uma coletivização do trabalho em prol do Estado.
       A CLT implica uma burocratização normativa na relação empregado-empregador. É fato que, quanto mais empecilhos na hora de contratar e despedir, menos serão os empregos gerados em um país, e menos será o PIB deste perto do que poderia ser se acaso não houvesse todos esses embargos trabalhistas. Max Weber, brilhante sociólogo e economista alemão, ao produzir estudos sobre a sociedade ocidental, enfatizou que um país eficaz passa por uma burocratização mínima e dinâmica para que o capitalismo produza riquezas em todos os âmbitos sociais. O que se passa no Brasil, muito por conta da CLT, é justamente o excesso de burocracia impedindo uma massiva produção de riqueza, aumentando a desigualdade social. É por isso que o governo Temer quer – e precisa – modernizar as leis do trabalho. Caro leitor, leia bem: modernizar, e não extinguir.
      São estes os dois pontos principais da Fazenda que virão nesta gestão Temer – aliados, claro, ao teto de gastos. Medidas que são extremamente impopulares, mas que, ao mesmo tempo, são precisamente essenciais para que o país cresça de maneira organizada e bem regulada. Já pelas Relações Exteriores, o comportamento do agora “Chanceler” José Serra mostra que, realmente, Temer está tentando mudar a ideologia política do Brasil, ideologia esta explicada parágrafos acima. Fazendo um trabalho ideológico contra os comunistas da Venezuela, Cuba, El Salvador, Moçambique, dentre outros, Serra demonstra que o Brasil está tentando se desvencilhar de uma hegemonia de pensamento que se instalou a partir de 2003. O Brasil deverá estreitar laços econômicos com parceiros economicamente desenvolvidos, como Estados Unidos, Inglaterra, Colômbia, Argentina e até mesmo a China.
      José Serra precisa mudar a imagem do Brasil no exterior. O país possui uma imagem de submissão diplomática e que atrasa nosso desenvolvimento. Sempre em cima do muro em decisões importantes, o Brasil sempre é tido como um lugar de festa e baderna. Logo nos primeiros meses o Itamaraty mudou a política ministerial, tentando colocar o Brasil no cenário internacional como um país sério, democrático e com instituições fortes.
      Michel Temer, logo após tomar a posse solene como presidente, viajou à China para fazer relações diplomáticas com a cúpula do G20. Isso já demonstra que, em apenas um dia como Presidente efetivo, já articulou mais relações econômicas que Dilma em seis tortuosos anos. Com o dólar se estabilizando e a Bovespa subindo – cenário já corriqueiro desde o governo interino, antes da votação em plenário no Senado -, cria-se um ambiente propício para que multinacionais fiquem interessadas em retomar investimento em solo brasileiro. Este ambiente é propiciado em sua maioria pela política monetária vinda do Banco Central, presidida agora pelo economista Ilan Goldfajn, que trata as contas do governo com tecnicidade e eficácia impressionantes. Uma política monetária transparente e realista é terra fértil para investidores – terra esta que faltou na gestão Dilma.
      A questão maior é que todo esse cenário econômico tem que se sustentar por muito mais que quatro ou cinco meses; há muito chão ainda por vir para que a pior recessão econômica de nossa história seja superada. Temer e toda sua gestão tem pela frente desafios políticos e cíveis. Enfrentar a polarização da nação, a crise política e econômica não será fácil, sem contar os problemas que sempre nos assombraram: educação, saúde e segurança pública. Ainda por cima tem, também, o trabalho mais difícil a ser feito: retirar da sociedade civil a ideologia fracassada que se instalou sorrateiramente e que traduz em tragédia suas teorias.
      É isso o que está por vir nesta nova fase. Seriedade, realidade e competência são os três pilares que deverão – e devem – ser a base para uma reforma administrativa do governo federal. Cabe, ao povo, apoiar aquilo que é visivelmente necessário e, nas urnas, escolher pessoas que realmente tenham o mérito de possuir o título de Presidente da República Federativa do Brasil.

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