Johannes
Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg é, sem dúvida alguma, o grande
transformador dos ditames da História do ser humano moderno. Se não fosse por
ele, com certeza o desenvolvimento tecnológico e intelectual da sociedade
humana demoraria ainda vários séculos para atingir o nível que atingiu após sua
extraordinária invenção: a prensa industrial.
Imagine-se em um mundo onde os
livros, os jornais, as revistas, e tudo aquilo que é impresso em grande escala,
fossem relíquias e requinte dos mais abastados ou de uma classe religiosa; não
haveriam livrarias, redes de notícias, bibliotecas; a informação chegaria até
nós de maneira lenta, pois quiçá o ser humano não teria capacidade intelectual
de dominar nem mesmo a eletricidade; grandes pensadores não teriam seus
escritos publicados de maneira a satisfazer suas vontades e atingir todos os
níveis da sociedade, para assim mudá-la... onde estaria a intelectualidade de
nossa civilização? Foi dessa vida que Gutenberg nos salvou. Ele nasceu em 1398, em Mainz, no antigo Sacro Império Romano-Germânico,
correspondente a atual Alemanha.
Em sua juventude, demonstrou um afinco
interesse em livros, lendo a maior parte de seus dias. Deve-se ressaltar que,
durante a Idade Média, – período histórico que se passa a vida de Gutenberg –
as obras eram escritas à mão, e quem detinha o conhecimento intelectual da
época era a Igreja Católica, deixando a cargo de monges e escribas o trabalho
de produzir livros e demais materiais didáticos. Com o monopólio cultural da
Igreja, os livros tinham preços altos e eram inacessíveis ao público em geral. Em
seu trabalho como ourives, dominava a técnica de fundição e moldes de ouro e
prata, que mais tarde lhe auxiliariam em sua grande invenção. Seus trabalhos
com joias eram considerados artísticos e de ótima qualidade
Era
filho de um rico comerciante local, Friele Gensfleisch zur Laden, que mais
tarde adotaria o sobrenome “zum Gutenberg”, referente a comunidade que se
mudara com sua família. Johannes Gutenberg iniciou, segundo consta sua
historiografia, como ourives do bispo de Mainz, entretanto, também é conhecido
por ter sido um notável vendedor de roupas.
Em meados de 1455, após anos de
pesquisas e criações, Gutenberg pegou nas mãos seu legado em forma de livro, - uma
Bíblia - impresso com uma técnica infalível: a prensa de tipos móveis. A
impressão já existia na China antiga há mais de dez séculos, entretanto, a
criação de Gutenberg, que moldara os tipos em um material bem mais resistente e
durável que os usados pelos chineses, deixou a impressão extremamente eficaz e dinâmica, alcançando números de produções
industriais.
A partir desta invenção, os
livros passaram a ser não mais uma exclusividade intelectual e monetária dos
monges católicos e seus escribas, mas sim de toda a humanidade. Gutenberg
conseguiu ser o grande dínamo que faltava para que a corrente do Renascimento
dominasse a sociedade europeia. Até o ano de 1489, suas prensas já haviam
alcançado a Itália, França, Espanha, Holanda, Inglaterra e Dinamarca. Em 1500,
cerca de 15 milhões de livros já haviam sido impressos.
Apesar disso, o poderio da Igreja
Católica ainda era dominante nos setores da sociedade que produziam livros e
demais materiais a partir da prensa. Mas, por outro lado, a invenção de
Gutenberg foi o grande arranque para que a Europa e a humanidade tivessem em
mãos o poder de desenvolver e elevar o nível de inovação da civilização humana.
Se não fosse por Johannes Gutenberg, a vida nunca seria como é hoje – ou demoraria
longos séculos até que o fosse. Livros seriam peças raras, bem como nossa liberdade.
| A prensa de Gutenberg |

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