Jano é
um deus não muito conhecido e difundido na cultura moderna, entretanto, uma
divindade importantíssima para a cultura romana antiga e nosso modo de vida
atual. Como qualquer mito, suas origens não são precisas e várias lendas surgem
sobre o assunto. A versão mais aceita conta que Jano foi um humano, um homem,
que fugiu da região grega da Tessália em direção ao pequeno reino de Alba Longa. Ao chegar no novo local, que ficava às
margens do rio Alba, Jano atravessou o rio e fundou um simples vilarejo,
chamado de Janiculum.
Após
um tempo, o rei de Alba Longa, Camesus, morreu, deixando o reino em estado de
insuficiência administrativa. Com isso, o vilarejo de Jano foi a grande
fortaleza para os moradores de Alba Longa, tornando-se o primeiro rei de toda a
região do Lácio. A lenda diz que em uma das viagens do todo-poderoso Saturno,
voltando da Grécia, o rei Jano proveu-lhe abrigo e comida. Quando Jano morreu,
Saturno, em um ato simbólico de agradecimento, divinizou-o, ou seja, tornou-o
um deus. Tudo isso, no que remete ao início da história de Roma, torna Jano um dos deuses mais antigos da mitologia
romana. Por esta conexão íntima com os primórdios de Roma, é o maior deus exclusivamente romano, ou seja, não há
sua versão grega: é exclusivo da cultura latina.
Jano é o deus de duas caras; um corpo apenas e duas faces. Uma delas é de um homem velho, com cabelos longos e uma grande barba, enquanto que a outra é um rosto jovial, de cabelos não tão longos e sem nenhum pelo facial. Jano é atribuído aos começos e aos fins, ao início e ao final, a entrada e a saída. Para demonstrar sua importância, seu nome sempre era mencionado antes de Júpiter em orações. Ele era protetor do início de todas as atividades e inaugurador das estações do ano . O primeiro dia de cada mês era destinado à ele, mas o primeiro mês do ano (janeiro) - que muitos hoje em dia consideram nomeado em sua honra - foi na verdade em homenagem a Juno, rainha dos deuses.


Jano era, também, a representação do
passado e do futuro. O ponto central da figura mitológica e histórica deste
homem que virou deus é suas atribuições, levando a grandes ensinamentos
filosóficos e até mesmo psicológicos. Seu culto promove com grandes forças o dualismo da cultura romana que se tornou
base para toda a cultura ocidental. Mostra o contraste – bem caracterizado
pelas suas faces – entre o novo e o velho, aquilo que foi e aquilo que será.
Seu dualismo traz aos romanos –
assim como a nós também – o sinônimo e o antônimo, promovendo paz ou guerra,
amor ou ódio. Cada uma de suas faces levava o fiel a dois extremos de uma mesma
verdade. Aqueles que buscavam sua ajuda e intercessão, deparavam-se com dois
únicos caminhos a seguirem, um completamente o oposto do outro. Com o passar da
história, Jano também começou a carregar algumas atribuições referentes a
charadas e enigmas, que geralmente leva a uma resposta de duas verdades – ou
mentiras - , sendo uma representação de suas duas faces.
A cultura ocidental, como um todo,
tem muitas características de Jano. Este deus foi muito difundido durante o Renascimento, que enfatizou o dualismo tradicional cristão no modo de vida do
europeu. O Deus de Duas Caras é imortalizado diariamente pelas situações
simplórias em que nos encontramos, tendo que decidirmos entre uma coisa ou
outra, somente. Com isso, Jano nos mostra que seguir em uma via pode nos levar
a uma bifurcação, cada uma com suas particularidades, atribuições boas e ruins,
sendo que quem decide qual caminho seguir é sempre cada um de nós.
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