segunda-feira, 27 de junho de 2016

O Mito da Caverna e o Brasil atual

         Platão nasceu em 428 a.C., em Atenas, cidade-estado grega. Foi o maior discípulo de Sócrates, sendo o expoente de seus trabalhos, um fiel evangelista. Historiadores dizem que seu real nome era Arístocles, entretanto, era conhecido pelo apelido Plátõn (Platão), palavra grega que em português se equivale a “amplo”; uma possível razão para esta alcunha é a tese de que Platão possuía os ombros bem largos e fortes.
Foi matemático e, obviamente, filósofo, tendo ficado mais conhecido pelo último atributo. No que diz respeito à Filosofia, foi um dos maiores gênios da humanidade. Tendo como mestre Sócrates, Platão educou e ensinou Aristóteles, formando a “Santíssima Trindade” da Filosofia. Inicialmente, as preocupações de Platão eram como muitas de seu mestre: buscar definições de conceitos abstratos, como “virtude” e “justiça”, assim como afirmar que “certo” e “errado” não são relativos. Em A República, Platão formulou seu pensamento de cidade-estado ideal, colocando na pauta questões referentes à virtude, além de aspectos práticos, como a coletivização da propriedade.
Busto de Platão, feito em mármore,
Em seus escritos, Platão sempre foi um ávido pensador do ideal, de que há, sim, a perfeição. Este pensamento levou a formulação de um vocábulo moderno, muito utilizado diariamente: “platônico”, que se refere a algo muito perfeito, um desejo impossível. Ele sugere que deve existir alguma espécie de forma ideal das coisas do mundo em que vivemos, sejam conceitos morais ou apenas objetos físicos.
Platão falou sobre objetos ao nosso redor. Quando vemos uma árvore, sabemos que é uma árvore e podemos reconhecer todas as árvores, mesmo que estas se difiram em diversos aspectos, afinal, apesar de diferentes, possuem a mesma essência. Platão usou um exemplo matemático para reforçar sua teoria: afirmou que podemos formular pela lógica que o quadrado da hipotenusa de um triângulo retângulo é igual à soma dos quadrados dos catetos. Segundo ele, sabemos da veracidade deste raciocínio ainda que o triângulo perfeito não exista em nenhum lugar do mundo natural. Apesar disso, conseguimos compreender e imaginar o triângulo perfeito em nossas mentes, usando a razão. Disse que, então, se estas formas perfeitas existem elas se encontram em algum lugar além do mundo físico.
Este pensamento foi a base para sua grande alegoria, o Mito da Caverna. Ele chamou o mundo de coisas perfeitas que não se pode ver de Mundo Inteligível (mundo das ideias); lá, a ideia de árvores perfeitas e triângulos perfeitos existiria, mas os sentidos humanos não são capazes de enxergar ou sentir tal lugar. Segundo ele, estaríamos atracados em um mundo de rascunho, o Mundo Sensível, no qual teríamos apenas uma representação das coisas perfeitas do Mundo Inteligível.
Segundo ele, as pessoas estariam aprisionadas desde o nascimento em uma caverna (Mundo Sensível), e estas só poderiam olhar para frente, para uma grande parede. Neste olhar, viam sombras de objetos, como árvores e triângulos, projetadas por uma chama atrás dos prisioneiros, que era uma via de passagem dos objetos reais. Tais sombras são tudo o que os prisioneiros conhecem, sem saber da realidade. Se um prisioneiro se desamarrar e se libertar, terá a oportunidade de ver ele mesmo os objetos, ao invés de apenas as sombras. Após toda uma vida de confinamento, o indivíduo ficaria maravilhado  e voltaria para seus companheiros para contar a  eles com enorme felicidade sobre o mundo real, verdadeiro, sem visões deturpadas ou condicionamentos. Entretanto, os prisioneiros não acreditariam, já que viveram toda a vida olhando apenas para sombras e, para eles, as sombras são os objetos reais.
Com isso, Platão diz que tudo que nossos sentidos aprendem no mundo material são apenas imagens na parede da caverna, ou seja, simples representações da realidade. Além disso, uma visão mais moderna e aplicada a situação política do Brasil, vê-se que a estratégia de massificação das informações, condicionando aqueles que sempre foram aprisionados, faz com que uma classe política – e principalmente ideológica – se mantenha no poder.
De fato, é visível para aqueles que saíram das correntes da caverna que toda a população é condicionada a ter apenas uma visão. A classe ideológica dominante - já há 13 anos - conseguiu com maestria implantar uma ideologia tendenciosa em todos os setores da sociedade, levando a uma grande parcela de identificação e submissão, características típicas de uma política populista e ditatorial. As armas para esse sucesso foram a famosa luta de classes, que se traduz nos dias atuais como “ódio de classes”: branco x negro; pobre x rico; homossexual x heterossexual; patrão x empregado; mulher x homem, além, claro, da fomentação do crime e do narcotráfico, aprisionando o cidadão inocente mais uma vez na caverna.
Entretanto, a mentira tem perna curta. Em algum momento, um prisioneiro se libertaria das correntes e veria a realidade, nua e crua. Este cidadão, livre de qualquer condicionamento ideológico e político, poderá, enfim, espalhar a verdade e libertar todos aqueles que estiverem dispostos a tomar o amargo remédio da verdade. E é isso o que vem acontecendo.
Vemos hoje que tivemos durante 13 anos um condicionamento de mentalidade, doutrinando principalmente os jovens e transformando os mesmos em soldados de guerra. Mas, graças aos corajosos prisioneiros que viram a verdade, o mundo real pôde, enfim, ser revelado a todos, mostrando os dois lados da moeda e os fatos da História simplesmente como são. É um advento de esperança, na qual a arma mais poderosa é a verdade.



terça-feira, 14 de junho de 2016

Vikings - série e realidade

Da esq, para a dir. : Floki, Aslaug, Ragnar, Bjorn, Lagertha e Rollo.
         A série Vikings é uma grande fonte de conhecimento sobre a história dos povos nórdicos. Este show foi criado pelo produtor e roteirista Michael Hirst, que possui no currículo a série The Tudors (2007) e os filmes Elizabeth (1998) e Elizabeth: A Era de Ouro (2007). Vikings é exibida pelo canal History Channel, distribuída pela Metro Goldwyn-Mayer e produzida pela Octagon Films e Take 5 Productions.
            O enredo tem como fonte primária os grandes saques dos escandinavos durante a Alta Idade Média (476 d.C. – 1000 d.C.). Com isso, o show traça a história narrativa dos vikings pela perspectiva do herói e rei Ragnar Lothbrok. Ragnar é um híbrido de mito e  realidade, assim como outras figuras históricas nórdicas. Na literatura escandinava, é filho do rei sueco Sigmund Ring, enquanto que na série, é apenas um guerreiro que ascende ao trono conquistando a tudo e a todos.
 As lendas nórdicas são narrativas parcialmente fictícias baseadas na tradição oral e em fatos reais, que foram escritas cerca de 200 a 400 anos após os eventos que elas retratam. Outras fontes utilizadas para a elaboração da série são os diversos registros das aventuras vikings, como os de saques feitos a Lindisfarne, também conhecida como Ilha Sagrada, na costa nordeste da Inglaterra.
A série é bem realística, explora muito bem as aventuras extraordinárias em que Ragnar liderou suas tribos até a Inglaterra e também a Paris, no reinado de Carlos III. Em uma leitura historiográfica, percebe-se fielmente os costumes dos povos nórdicos, como por exemplo, a forma política em que se dividiam. Não havia um grande estado viking, muito pelo contrário. Várias tribos eram dominadas por um guerreiro, e quanto mais tribos caíssem em seus domínios, se autoproclamava rei. Além disso, a agricultura familiar era a base dos alimentos, bem como a caça de peixes e animais típicos. A moeda de valor dos vikings, como muito bem demonstrado na série, eram as peças de ouro e prata, o que os faziam navegar pelo mundo saqueando o que encontrassem.
É também retratado o modo de vida religioso dos vikings. Bem como outras sociedades ritualísticas e mitológicas, o culto aos deuses era parte do cotidiano e da fé do homem nórdico, exaltando a Odin, Thor, Frey, Frida, entre outros. A série enfatiza muito a plenitude em relação a morte. Para os vikings, viver uma vida vitoriosa era a passagem para sentar-se ao lado dos deuses em Valhala, para, assim, viver a vida eterna na pureza e na divindade.
Com Vikings, o History Channel volta a ter um grande apreço e audiência do público, levando para a televisão uma série intrigante, muito bem produzida e com fidelidade aos relatos históricos, bem como um elenco talentosíssimo. Ragnar Lothbrok é encarnado pelo ator australiano Travis Fimmel que, recentemente, estrelou a obra cinematográfica do jogo warcraft, no filme Warcraft: O Primeiro Encontro de dois Mundos (2016); Rollo Lothbrok, irmão de Ragnar, é feito por Clive Standen; Lagertha, ex-esposa de Ragnar e uma feroz guerreira é contracenada por Katheryn Winnick. Estes são os três personagens principais.
Os domínios dos povos vikings
            A série está na quarta temporada, em hiatus para a quinta e demais sequências. Indico-a, pois demonstra muito bem a realidade, o modo de vida e a saga viking como nenhuma outra produção televisiva. As tramas ramificadas dos fatos históricos que Michael Hirst incumbe a série fazem o telespectador se prender a tela e saber mais sobre a sociedade nórdica, suas guerras e mitologia. Com certeza é uma série que te tirará do sofá da sala e te levará aos salões de Valhala junto dos mais mortais guerreiros vikings que já habitaram a Escandinávia.


quinta-feira, 2 de junho de 2016

Rumi - progresso humano

          Jalal ad-Din Rumi nasceu em Balkh, antiga província persa, hoje uma região do Afeganistão, no ano de 1207. Quando o Império Mongol ameaçou invadir a província, sua família fugiu para a cidade de Konya, Anatólia, atual Turquia, região do Império Bizantino. Lá, Rumi conheceu os poetas conterrâneos Attar e Shams al-Din Tabrizi. Com isso, decidiu dedicar-se aos estudos da religião islâmica, bem como a poesia e as leis.
            O sufismo – corrente de interpretação mística e esotérica do Alcorão – nunca foi bem aceita entre os estudiosos islâmicos. Entretanto, na Anatólia, Rumi foi introduzido a este grupo interpretativo. O conceito de sufi é difundido como “unir-se a Deus por meio do amor”, e seduziu o imigrante persa, fazendo-o aprofundar-se no estudo do sufismo, desenvolvendo uma versão filosófica para explicar a relação do homem com o divino.
            Com isso, sua fama se alastrou e tornou-se um professor dentro da corrente sufista. Começou a se considerar um veículo de comunicação entre Deus e a humanidade, evidenciando a prática dhikr – oração -, em contraste com a atividade comum de interpretação racional do Alcorão. Possuía fé de que sua missão era transmitir esta nova visão interpretativa do islamismo, descrevendo suas teorias e práticas por meio da poesia.
            O preceito fundamental de sua filosofia era a ideia de que o Universo e tudo nele são um fluxo de vida infinito, no qual Deus é a única presença eterna. Rumi também se dedicou a entender o real papel do Homem neste vasto Universo, já que era componente do mesmo.
            Segundo ele, o Homem é a ligação entre o passado e o futuro, em um contínuo processo de vida, morte e renascimento. Isso seria um desenvolvimento de progressão, e não de um ciclo. Ou seja: o papel do Homem é sempre evoluir. A morte e a decadência são inevitáveis e partes fundamentais desse progresso, mas, ao mesmo tempo em que algo cessa de existir em uma forma, renasce em outra.    Rumi – que passou a ser conhecido com Mawlana (Nosso Guia) - defendia que essa compreensão filosófica e religiosa é fruto da emoção (fortificada pela dança, pelos cantos e músicas) e dos sentimentos, ao invés da razão.
            A herança de Rumi influenciou toda a História. É por causa de seus poemas e suas teorias religiosas que grande parte da Turquia deixou o cristianismo ortodoxo e converteu-se ao islamismo. Seus conceitos, em contrapartida, não foram muito convincentes na Europa, na qual as teorias mais racionais predominavam e se solidificavam.
Alcorão, livro sagrado islâmico
            Segundo a BBC, em pesquisa realizada, Rumi foi um dos poetas mais lidos nos Estados Unidos no século XX, e ainda continua sendo. Isso ocorre devido as intensas traduções de trabalhos islâmicos para o inglês, na primeira metade do século passado. Hoje em dia, as correntes esotéricas ganham cada vez mais forças no Ocidente, devido a influência de um pensamento mais espiritual e místico da vida.

            Rumi morreu em 1273, em Konya. 
            
            Obras marcantes: Dísticos espirituais
                                          Nele o que estiver nele
                                          Sete sessões
                                          As obras de Shams de Tabriz