quinta-feira, 2 de junho de 2016

Rumi - progresso humano

          Jalal ad-Din Rumi nasceu em Balkh, antiga província persa, hoje uma região do Afeganistão, no ano de 1207. Quando o Império Mongol ameaçou invadir a província, sua família fugiu para a cidade de Konya, Anatólia, atual Turquia, região do Império Bizantino. Lá, Rumi conheceu os poetas conterrâneos Attar e Shams al-Din Tabrizi. Com isso, decidiu dedicar-se aos estudos da religião islâmica, bem como a poesia e as leis.
            O sufismo – corrente de interpretação mística e esotérica do Alcorão – nunca foi bem aceita entre os estudiosos islâmicos. Entretanto, na Anatólia, Rumi foi introduzido a este grupo interpretativo. O conceito de sufi é difundido como “unir-se a Deus por meio do amor”, e seduziu o imigrante persa, fazendo-o aprofundar-se no estudo do sufismo, desenvolvendo uma versão filosófica para explicar a relação do homem com o divino.
            Com isso, sua fama se alastrou e tornou-se um professor dentro da corrente sufista. Começou a se considerar um veículo de comunicação entre Deus e a humanidade, evidenciando a prática dhikr – oração -, em contraste com a atividade comum de interpretação racional do Alcorão. Possuía fé de que sua missão era transmitir esta nova visão interpretativa do islamismo, descrevendo suas teorias e práticas por meio da poesia.
            O preceito fundamental de sua filosofia era a ideia de que o Universo e tudo nele são um fluxo de vida infinito, no qual Deus é a única presença eterna. Rumi também se dedicou a entender o real papel do Homem neste vasto Universo, já que era componente do mesmo.
            Segundo ele, o Homem é a ligação entre o passado e o futuro, em um contínuo processo de vida, morte e renascimento. Isso seria um desenvolvimento de progressão, e não de um ciclo. Ou seja: o papel do Homem é sempre evoluir. A morte e a decadência são inevitáveis e partes fundamentais desse progresso, mas, ao mesmo tempo em que algo cessa de existir em uma forma, renasce em outra.    Rumi – que passou a ser conhecido com Mawlana (Nosso Guia) - defendia que essa compreensão filosófica e religiosa é fruto da emoção (fortificada pela dança, pelos cantos e músicas) e dos sentimentos, ao invés da razão.
            A herança de Rumi influenciou toda a História. É por causa de seus poemas e suas teorias religiosas que grande parte da Turquia deixou o cristianismo ortodoxo e converteu-se ao islamismo. Seus conceitos, em contrapartida, não foram muito convincentes na Europa, na qual as teorias mais racionais predominavam e se solidificavam.
Alcorão, livro sagrado islâmico
            Segundo a BBC, em pesquisa realizada, Rumi foi um dos poetas mais lidos nos Estados Unidos no século XX, e ainda continua sendo. Isso ocorre devido as intensas traduções de trabalhos islâmicos para o inglês, na primeira metade do século passado. Hoje em dia, as correntes esotéricas ganham cada vez mais forças no Ocidente, devido a influência de um pensamento mais espiritual e místico da vida.

            Rumi morreu em 1273, em Konya. 
            
            Obras marcantes: Dísticos espirituais
                                          Nele o que estiver nele
                                          Sete sessões
                                          As obras de Shams de Tabriz

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