sábado, 2 de dezembro de 2017

Comentários sobre a independência da Catalunha

*texto retirado de artigo prévio de minha autoria para a disciplina de Direito Internacional do Centro Universitário Salesiano de São Paulo, campus São Joaquim*


Toda a questão acerca da independência da Catalunha diz respeito a um ideal humano: a liberdade. Neste vasto gênero temos outras inúmeras espécies, tais como o direito à vida, a dignidade da pessoa humana, a legítima defesa e etc. Partindo de um ponto de vista social, a liberdade individual pode se transmutar em questões culturais e coletivas. Esta transmutação é a autodeterminação dos povos, uma liberdade movida pelo sentimento identitário que permite a construção de uma nação, nos sentidos jurídico e político.
Esta construção leva a nação a se moldar em estruturas representativas que fazem surgir, portanto, um país.
O grande problema - que não deveria sê-lo, se houvesse respeito no mundo - é quando este dínamo se dá dentro de um outro país já formado. A Espanha, atentando violentamente no dia do referendo contra os cidadãos catalães, tentou impedir uma votação formal. A urna derrotou a poderosa Espanha, palco de outrora um riquíssimo e destruidor reino mercante. É sabido que, na comunidade internacional, a Espanha já não apresenta a relevância necessária para ser uma potência no mundo. Por isso mesmo, sua economia é completamente dependente da região da Catalunha que, anualmente, representa 20% do PIB nacional. Isso mesmo. Repito: uma região geograficamente pequeníssima tem a maior participação na produção industrial do país.
Evidencia-se, por consequência, o grande motivo da Espanha ser veementemente contra a separação. Perderia na economia e no prestígio político.
Por outro lado, vislumbra-se no cidadão catalão - especialmente nos mais velhos - que a questão financeira não é da maior relevância. Atesta-se a este povo o sentimento nacionalista, uma vontade de se constituir uma morada própria. O catalão, o homem-médio da Catalunha, vislumbra no horizonte a formação de um Estado soberano exposto no formato de Estado-nação. Quer a construção da soberania de suas instituições representativas e governamentais, bem como da vida de seu povo.
O sentimento identitário cria no meio social uma identidade coletiva, fortemente embasado pela língua em comum e toda a História regional. Ademais, a necessidade disso se expressa por uma tão almejada Constituição própria que discorra verdadeiramente no âmbito jurídico como o catalão quer a estruturação e organização de seu país.
A Catalunha tem, no ordenamento jurídico regional, o chamado Estatuto de Autonomia, que funciona como uma espécie de lei orgânica, um regimento supremo na região. É a norma fundamental catalã. É a partir destes estatutos que os territórios autônomos exercem a sua autonomia, à sombra, sempre, da Constituição da Espanha.
            O plano do Generalitat (governo catalão) era referendar acerca da separação da Catalunha. Após, se houvesse resultado procedente, instalar-se-ia uma lei de transição jurídica, que instituiria provisoriamente uma Constituição, que duraria dois meses. Depois desta transição, haveria a formação de uma Constituição sólida, duradoura, democrática e social, bem como a instauração de um governo soberano.
            Em contrapartida, não é isso o que está acontecendo, tendo apenas o referendo sido votado. Isto se dá porque há uma repressão desumana da Espanha, atentando contra, já dito neste trabalho anteriormente, o direito natural de autodeterminação do povo catalão.
            O Estado espanhol, em sua versão, está aplicando um remédio constitucional para frear a rebelião de uma nação subordinada; é o poderosíssimo artigo 155 da Constituição Espanhola. Ele expressa:
            Artigo 155
            1. Se uma Comunidade Autônoma não cumpre as obrigações que a Constituição ou outras leis impõem, ou agem de forma a ameaçar seriamente o interesse geral da Espanha, o Governo, mediante pedido ao Presidente da Comunidade Autônoma e, no caso de para ser atendido, com a aprovação da maioria absoluta do Senado, pode adotar as medidas necessárias para obrigar o primeiro a cumprir obrigatoriamente com as referidas obrigações ou para proteger o referido interesse geral.
            2. Para a execução das medidas previstas na seção anterior, o Governo pode dar instruções a todas as autoridades das Comunidades Autônomas. 
            O trecho “... pode adotar as medidas necessárias...” é aquilo que dá ao governo espanhol base constitucional para reprimir, violentar e estraçalhar – se assim necessário – o povo catalão, sempre com o objetivo coletivo de “manter a ordem e a união” do Estado.
Percebe-se, então, que a separação da Catalunha expressa a vontade humana e coletiva, uma força social que é fomentada através da cultura e da história comum. Esta junção é o que permite aquele povo o sentimento identitário, corroborando, então, com o princípio jusnaturalista da autodeterminação dos povos.

            Ademais, conclui-se, também, que um Estado de viés totalitarista tende a reprimir atitudes libertárias, mesmo que, para isso, utilize-se de dispositivos constitucionais que permitem violações diretas a um determinado povo.

domingo, 15 de outubro de 2017

Um brinde aos mestres!

            

            Hoje é o dia do professor. Nos dias atuais, vemos pessoas que exercem esta função não para ensinar, mas para doutrinar nossos jovens e impor uma agenda política e filosófica. Apesar destes maus elementos, o Brasil ainda se sustenta pelas mãos dos bravos mestres que tentam, todos os dias, ensinar as diversas ciências que procuram explicar nosso vasto mundo e universo.
            Passamos por tempos difíceis e a educação está jogada no ralo já há algumas décadas. Nossos professores são maltratados não somente pelos governantes, mas, também, por inúmeros alunos. É uma profissão que, em nosso país, vê-se desmotivada e desprestigiada. Infeliz e pobre é o país que não reconhece os mestres que formulam o desenvolvimento do mesmo.
            É somente por meio do ensino e do consequente aprendizado que se chega a um pleno progresso. Parabéns a todos aqueles que, desde o ensino infantil até o superior, vivem para instruir o inquieto ser humano.
            O caminho é longo, entretanto, se não for percorrido, não sairemos do lugar em que nos encontramos.
            Feliz dia do professor!

terça-feira, 3 de outubro de 2017

A revolução cultural e a pedofilia fantasiada de arte



           O caso do Museu de Arte Moderna de São Paulo não foi o único episódio de exposição da nudez humana a uma criança. Diversos outros aconteceram ao redor do país neste ano, sem mencionar toda a probabilidade de este comportamento ser prática reiterada nas últimas décadas.
            Saliento, a priori, que a crítica à exposição não é referente a performance de nudez interposta pelo ator. É importante deixar claro que a liberdade de expressão deve ser tutelada por todos; é um direito natural do ser humano se expressar e se comunicar.
            O grande problema do episódio ocorrido foi a manifesta exposição da nudez adulta a – pasmem! – uma criança! Sim, isso mesmo. Os vídeos que circulam pela rede mundial de computadores mostram nitidamente que havia na exposição um homem adulto nu, deitado de costas para o chão, sendo tocado por uma criancinha de menos de seis anos de idade. Esta criança tocava o homem incentivada pela – pasmem novamente! – própria mãe! O rebento tateava os pés e as pernas do homem, que possuía o falo exposto aos seus olhos.
            Aqui vale um juízo natural da narrativa citada: se você leu os relatos acima e não sentiu repulsa, algo de errado ocorre em sua cabeça. Para não deixar dúvidas, repito brevemente: uma criança é incentivada a tocar em um homem nu, que possui as genitálias à mostra, pela própria mãe.
            Tanto para o Código Penal quanto para o Estatuto da Criança e do Adolescente, este fato é caracterizado como pedofilia ou incentivo à pedofilia. Mas, apesar de todo este conjunto probatório, por que ainda existem pessoas que defendem o Museu, o ator e a mãe? Veja bem, a questão é mais séria que imaginamos. Faz-se necessário expor todo o contexto que está por trás desta camada externa.
            Os defensores se utilizam dos conceitos de “arte”. O nu humano é artístico e, sendo arte, não deve ser proibido para crianças, pois arte é a representação do próprio ser humano. Esta camada protetora consegue muitos adeptos e simpatizantes, entretanto, pergunto-me se alguma destas pessoas deixariam o filho tocar num homem nu desconhecido. Hipocrisia, talvez?
            Bem, toda esta retórica recheada de demagogias nos remete à origem de todo este círculo dialético entre arte, nudez e pedofilia. Somente analisando as forças que dominam as vontades dos envolvidos é que entenderemos o fato em sua realidade.
            Muitos já ouviram falar – e estudaram no Ensino Médio – sobre a escola filosófica conhecida como Escola de Frankfurt. Esta corrente de pensamentos pregava a destruição da sociedade ocidental e de todos os seus princípios – princípios estes judaico-cristãos -, passando pelo campo da moral e da ética. Os frankfurtianos, para desestabilizar e acabar com a cultura ocidental, utilizariam de diversos métodos para se chegar a revolução marxista. A Escola de Frankfurt, então, se tornou o maior expoente do marxismo cultural, teoria formulada pelo pensador italiano Antônio Gramsci.
            Pois bem. A busca por este objetivo transmuta-se a atacar a base de toda a sociedade humana: a família. Esta corrente diz que, para se fazer a revolução, a família deveria ser desfragmentada. Ora, mas qual o motivo disto? A resposta é pura e cristalina: a família é o primeiro grande e eficaz filtro que protege o indivíduo do Estado e de todas as grandes instituições de poder.
            Para se chegar a revolução comunista, e sua posterior efetivação, a família deveria perder seu poder, fazendo-se, então, uma ligação direta entre indivíduo e Estado; manipulação clara e iminente, poderosa e irrefreável.
            Herbert Marcuse, um dos teóricos de Frankfurt, utilizava-se da sexualidade para o ataque à família ser bem sucedido. Para o pensador, a repressão sexual dos pais em face de seus filhos pequenos era fruto da sociedade capitalista. Para tanto, a erotização das crianças e seus eventuais abusos físicos deveriam ser fomentados para que a família perdesse seu controle sobre os rebentos, acabando com a repressão do sexo oriunda do capitalismo, desestabilizando o próprio sistema.
            É inegável que os frankfurtianos se tornaram uma referência do progressismo radical no século XX, ganhando inúmeros seguidores e simpatizantes ao longo do globo, em especial, é claro, no Ocidente.
            O marxismo cultural – o mais perverso inimigo da sociedade humana – angaria adeptos nos seguimentos de esquerda da política mundial, desde os democratas americanos até os partidos brasileiros, figurando em lugar de destaque o PT, PSOL, PCdoB, PSB e demais.
            Não se engane, leitor. O episódio do MAM de São Paulo é só a ponta do iceberg, bem como a exposição do “Queermuseum” no Sul do país. O próprio Ministério da Educação tem em seu programa curricular o ensinamento do sexo para criancinhas de ensino infantil e a propagação de material sexual explícito, como no caso do conhecido “kit gay” – saliento: o problema está na erotização das crianças e não na exposição das características homossexuais.
Toda a sociedade brasileira, como já falei outras vezes no blog, está envenenada pelo marxismo cultural, com o intuito claro e manifesto de destruição da família e de toda a moral judaico-cristã, para que o indivíduo seja facilmente manipulado pelo Estado e outras instituições de poder.
A moral do Ocidente é baseada no valor do trabalho, na dignidade da pessoa humana, na proteção e construção do ambiente familiar, no respeito à propriedade privada, à liberdade de expressão, à legítima defesa e tantos outros direitos naturais e essenciais do ser humano. Com estes valores, torna-se difícil fazer a revolução comunista, que prega justamente o contrário dos referidos dogmas.
Faz-se necessário, para a esquerda, tirar a família do jogo ideológico, enfraquecendo a rede de valores ocidentais que protegem as crianças, chegando, assim, a ter grandes possibilidades de manipulação coletiva para a revolução cultural marxista. E é isso o que aconteceu no MAM.
A pedofilia evidente no Museu é fruto justamente desta onda teórica que busca desintegrar a família por meio da erotização infantil, deixando de bandeja as crianças para as instituições de poder manipularem e doutrinarem. Uma hora utilizam-se da pedofilia sob a ótica da educação sexual; outra, sob a ótica do naturismo puro; chegou a vez de se utilizar do manto da expressão artística.
Cuidado, leitores. A revolução cultural está mais viva do que nunca.        


            

Rock in Horror

           

           O Rio de Janeiro foi tomado por dois grandes acontecimentos simultâneos: a guerra do tráfico e o Rock in Rio. O primeiro, causado pela disputa de poder na Favela da Rocinha; o segundo, oriundo da busca pelo prazer utilitarista.
            Falar de violência no Brasil é, infelizmente, clichê, sobretudo em relação ao Rio. A destruição de nosso país passa por ineficiência estatal na educação básica e na prevenção-repressão dos crimes. O fato é que, nas duas últimas semanas, a capital fluminense se viu tomada de súbito por uma pequena guerra entre Nem e Rogério 157, dois grandes traficantes da Rocinha.
            O motivo é comum: a busca incessante pelo poder. Soldados dos dois chefões entraram diariamente em confronto, como em cenário de filme, portando fuzis e atirando sem a menor preocupação com o pobre cidadão comum, que só quer trabalhar e sustentar a família.
            Após dias seguidos de tiroteios e a dificuldade da polícia estadual em conter a situação, o governador decidiu, por fim, pedir auxílio ao Exército brasileiro. Foi decretado, portanto, que as Forças Armadas intervissem na Rocinha, fazendo um cerco para que ninguém entrasse ou saísse.
            A guerra às drogas é ineficiente, cara e deixa incontáveis inocentes mortos. Todos nós estamos suscetíveis a sermos vítimas do tráfico direta ou indiretamente; bala perdida, assalto, homicídio: a maioria dos crimes registrados no Brasil tem relação com o tráfico.
            A marginalização de seguimentos da sociedade nacional remonta desde a Coroa portuguesa, passando por todos os períodos da História do Brasil. A falta de planejamento na desenvoltura social e urbana fez com que o marginalizado escolhesse o modo que lhe seria mais fácil ganhar a vida: o crime.
            No Rio, até mesmo em bairros ricos, o cidadão se vê, muitas vezes, surpreendido por tiroteios, arrastões e demais absurdos. Não há ninguém seguro. Os bandidos – até mesmo os de gravata – são quem manda no país.
            Neste cenário extremo de guerra entre traficantes na maior favela das américas, a mesma cidade foi palco do tradicional e cosmopolita evento Rock in Rio – que está mais para um “Pop in Rio”, diga-se de passagem. Enquanto mães choravam por seus filhos nas favelas, milhares de pessoas se divertiam na redoma da Cidade do Rock.
            O contraste é grande. E passou despercebido pela grande mídia.
            É latente a necessidade de conectar e contextualizar as diferenças negativas que existem neste episódio.
            Um ingresso do evento custa uma fortuna. Pessoas injetaram bastante dinheiro para ganharem algumas horas de diversão, em um mundo à parte, onde os heróis usam instrumentos musicais. No outro mundo, as balas encontravam seus alvos e o terror tomava conta das comunidades pobres.
            Este cenário é característico do Brasil. Desde sempre, grandes conglomerados de elite se protegiam do verdadeiro Brasil – pobre, subdesenvolvido e violento – em suas grandiosas mansões. Nos dias atuais, esta mesma camada se esconde em eventos internacionais, clubes privados e demais espaços próprios.
            Aqueles que não tem nem o mínimo para viver sadiamente ficam expostos ao caos da guerra às drogas em verdadeiros fronts urbanos. Enquanto havia suor na Cidade do Rock, no Rio de Janeiro de verdade havia sangue sendo jorrado no chão e o ar sendo respirado em forma de medo.
            Até quando este triste contraste reinará?

            

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Dom Casmurro



Dom Casmurro é uma obra que perpetua na literatura brasileira desde os primórdios de sua publicação. Permanece até os dias de hoje como uma narrativa forte e envolvente, que traz dúvidas aos leitores ao invés de um enredo de certezas e clichês. É justamente por isso que ela é tão lida, estudada e comentada. Todas as análises que giram ao redor de Dom Casmurro tratam apenas de um assunto do enredo, que seria o possível adultério de Capitu, esposa e amor de Bento Santiago, o Bentinho. Entretanto, ao meu ver, a obra é muito mais que isso. Não nego, a possível traição é um ponto chave e importantíssimo da narrativa, mas não seu eixo principal.
O livro traça uma linha de evolução do personagem. Bentinho narra sua própria história, em primeira pessoa, de um ponto do presente, melancólico e nostálgico. O personagem principal faz seu próprio livro como se fosse um memorial, um diário de lembranças. O enredo conta desde a adolescência até o momento hodierno. É justamente nos tempos de jovem que ele conhece a misteriosa e envolvente Maria Capitolina, a Capitu. O narrador acaba se apaixonando por ela, que retribui o sentimento.
O título é logo explicado nas primeiras páginas. Casmurro é uma pessoa teimosa, ranzinza, sorumbática. É assim que Bentinho se desenvolve no enredo. Ele nem sempre fora uma pessoa assim, mas, com o passar do tempo, se tornou melancólico, motivado pelos acontecimentos que o acabaram afastando da felicidade. Na adolescência era um menino alegre, festivo. Morava com sua mãe, Dona Glória; José Dias, amigo e agregado da família; Tio Cosme e Prima Justina. A época era o Segundo Reinado, de Pedro II. D. Glória queria que o filho se tornasse padre – promessa feita há muito. Bentinho então vai para o seminário onde fica muito amigo de Escobar, um personagem belo e muito educado. Bentinho sai do seminário e vai estudar Direito, enquanto Escobar – que também larga a vida de batina – vai ser um homem de negócios.
O desenrolar dos anos passam até que bem para Bentinho e Capitu, que se casam. Escobar se casa com Sancha, amiga de infância de Capitu. Os dois casais se aproximam cada vez mais, evoluindo concomitantemente. Bentinho se desanima quando Escobar e Sancha viram pais. O narrador não conseguia engravidar sua amada, fazendo-o se sentir menos viril. As coisas entre ele e Capitu, então, começam a ficar conturbadas. Como característica de narração do cotidiano do personagem, episódios esporádicos vão acontecendo enquanto o autor, Machado de Assis, interpõe pequenos detalhes e acontecimentos que levam o leitor a se dirigir para um eixo enigmático e intrigante: Capitu e Escobar, com os olhares neuróticos de Bentinho.
Acredito que houve adultério. Apesar da história ter a visão do possível traído, são explícitos alguns comportamentos duvidosos de Capitu, como por exemplo, o dia em que Bentinho encontra com Escobar na porta de sua casa, sem saber o porquê ele estava ali. A evidência mais forte é, contudo, quando o personagem principal indaga diretamente sua amada que o filho de ambos, Ezequiel, era na verdade um fruto de relacionamento dela com o melhor amigo do marido. Quando questionada, Capitu não esboça indignação – reação característica quando alguém é acusado de algo que não fez.
Capitu apenas olha para Bentinho, sem palavras, sem se defender, tendo demonstrado uma forma de mea culpa de quem aceita que, de fato, errou. Esperava-se que, se ela fosse verdadeiramente inocente, esbravejaria contra tamanha acusação equivocada. Mas não. Ficou em silêncio, como se fosse uma pecadora amordaçada. Além deste episódio, o crescimento de Ezequiel faz com que este fique parecido com Escobar. Bentinho olhava seu filho e via a imagem e semelhança de seu melhor amigo, agora já falecido no enredo.
Aumentando suas convicções, Bentinho tinha a certeza que havia sido traído e, Capitu, gerado um bastardo. Era inevitável que os dois, então, se separassem. Capitu vai para o exterior, junto do rebento, enquanto Bentinho vive sob a égide de suas mágoas no Rio de Janeiro, o pano de fundo de toda a história. Dedica-se inteiramente à profissão e também ao seu memorial. Escreve sobre sua vida para expressar a dor crônica que ela adquiriu. De um menino alegre e eternamente apaixonado ele se transformou em um homem ranzinza traído pela sua esposa, amor de infância, e até mesmo pela sua própria sanidade mental.
Trazendo a ficção para a luz da realidade, Dom Casmurro retrata de maneira fática o delírio humano. Lendo os relatos cotidianos de Bentinho, percebe-se que o narrador não se encontrava em pleno usufruto de suas faculdades mentais. A cada episódio de sua vida, mais neuroses o personagem atribuía a si mesmo. Quando Bentinho, enfim, reencontra Ezequiel, parece-me que, finalmente, encontra-se com a paz. Conversando com o agora rapaz, o narrador transmite uma atmosfera de calmaria e conformidade.
A magnum opus de Machado de Assis é escrita estabelecendo uma forte conexão com a cidade do Rio de Janeiro. Mostra nitidamente a influência do imperador Dom Pedro II na vida do brasileiro da segunda metade do século XIX, com um cosmopolitismo característico da cidade carioca. Mistura de elites com uma gama de pessoas marginalizadas, relação sempre à vista dos diversos estrangeiros na cidade, principalmente europeus. Demonstra, também, a influência do catolicismo nos ditames da vida cotidiana, sempre vivendo sob a proteção de Deus e de seus representantes na Terra, os padres. O papel do homem como chefe da família – algo inabalável à época – é contrastado com o enredo da obra que expõe a vida de Bentinho e dos parentes que viviam juntos, sempre conduzidos com a força e destreza de Dona Glória, que tem o dever de cuidar inteiramente da casa e da família após o falecimento do marido. O papel da mulher na narrativa é de protagonismo social e comportamental.
Com todas essas particularidades, Dom Casmurro é um livro extremamente prazeroso de se ler, com uma escrita intrigante e concisa. Sem dúvidas, a obra estará sempre no imaginário e nas discussões dos brasileiros por retratar um período marcante da História social do Brasil e, de maneira atemporal, as nuances e delírios da psique humana.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Resultado e a obra mais votada



            O livro Dom Casmurro, de Machado de Assis, foi a obra mais votada na enquete literária. Aguardem pela resenha.
            Obrigado a todos que votaram!

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Nota sobre a enquete

         

       A enquete será realizada até o dia cinco de julho, às quatro e meia da tarde. O livro mais votado terá uma resenha publicada de três a sete dias depois do resultado final.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Percepções sobre a política brasileira atual



             A política brasileira é nojenta. Nossa história republicana é manchada por escândalos, ditaduras, revoltas, insurreições, corrupção, clientelismo. Não obstante, nossa história colonial e imperial também possui suas peculiaridades: fugas, adultérios, interesses pessoais, exploração, escravidão. Parece até que as coisas não mudaram tanto em terras tupiniquins desde que os portugueses chegaram em 1500.
            O que acontece é que o povo brasileiro (tanto o cidadão comum quanto os empresários e os políticos) nunca esteve preparado para viver em república. Nunca o povo brasileiro se educou para viver em uma nação que fosse comandada pelo poder do povo, respeitando a coisa pública (res publica). Por isso, escancaradamente vivemos em uma sociedade corrompida e fracassada.
            Não nos espantemos com as corrupções de Lula, Dilma, Temer; nem de Fernando Henrique Cardoso, nem de Collor, nem de João Goulart, Vargas, Floriano Peixoto, Pedro I. Difícil é ouvir falar de um governo que não tenha sido suspeito de um mínimo caso de corrupção. Quando digo governo não falo somente do presidente em questão (ou do monarca), mas de todos os seus subordinados. Saindo do executivo federal, inúmeros também são as corrupções mais regionais, nos nossos Estados e municípios. Coloco em pauta a corrupção institucionalizada, que vem de cima para baixo.
            Recentemente, a delação de um dos símbolos do monopólio Estado-empresa no Brasil, Joesley Batista, revelou que o atual presidente do país, Michel Temer, é o chefe da mais perigosa quadrilha atuante em terras nacionais. Revelou também que esta quadrilha foi formulada, orquestrada e fundada por ninguém mais ninguém menos que o mártir da esquerda brasileira, Lula. Isso demonstra como a corrupção atual é diferente dos tempos anteriores a democratização.
            O que se percebe, sem dúvida alguma para quem não é viciado pelo partidarismo barato, é que a corrupção nos dias atuais é feita por meio de sua institucionalização como forma de aquisição e manutenção do poder perpétuo. Ao ascender ao comando do Brasil, o Partido dos Trabalhadores começou a utilizar-se de recursos públicos (leia-se SEU, MEU, NOSSO dinheiro) para se manter no poder, auxiliado por partidos que encenavam oposição, tal qual o PSDB. As denúncias feitas pelas nossas instituições republicanas demonstram que o monopólio criado pelo Estado brasileiro no grande empresariado nacional (Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa, JBS) foi uma maneira de receber e dar favores com um retorno claro e límpido: a manutenção dos partidos e de toda a camaradagem no comando.
            Medidas Provisórias, projetos de lei, Emendas Constitucionais: nossa legislação pós 1988 foi toda vendida para a posterior compra do poder político. Aqui no Brasil não existe capitalismo, não existe democracia, não existe liberdade política: existe um socialismo clientelista que faz girar a máquina pública e o poder corrompido.
            A política nacional é toda comandada pelas velhas famílias oligárquicas de outrora e pelos mesmos conglomerados partidários. É triste ver o país jogado nas mãos de poucas pessoas que possuem tanto poder sobre nossas vidas. O povo precisa ser soberano, o Estado tem que servir ao povo e não o contrário. A população quer uma coisa, e a quer em toda a História da humanidade: liberdade. É com este singelo livre-arbítrio que se constrói riqueza, prosperidade, qualidade de vida, paz e felicidade. Se deixarmos tudo nas mãos podres do Estado, estaremos sempre dando poder e margem para outras pessoas ditarem a maior parte das nossas vidas.
            O que resta é buscar a consciência. Devemos nos educar, aprender sobre cidadania, filosofia, sociologia, economia, História. Devemos entender o que é democracia, o que é, de fato, uma república. Só assim fortaleceremos ainda mais nossas instituições e fomentaremos um ambiente político ético e moral. Necessitamos, com urgência, nos libertar da velha politicagem e dos braços fortes do Estado brasileiro interventor.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Lulopetismo: o perigo mora ao lado



          O lulopetismo é a religião mais fanática que existe atualmente no mundo. Seu deus, o ex-presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, é o imaculado que possui em si a inocência plena da viva alma mais honesta do país. Esta figura divina responde perante a justiça dos homens a cinco processos criminais em diferentes operações. Entretanto, seus seguidores fiéis – fidelidade esta que chega à cegueira total – batem o martelo e dizem que seu deus é inocente de tudo.
No panteão divino do lulopetismo, todos os deuses menores – chamados de Guerreiros do Povo Brasileiro – estão presos, respondendo ainda a processos ou até mesmo soltos por já terem cumprido pena; mas, o deus-mor, é inocente de tudo. Todos os seus subordinados no panteão faziam a corrupção acontecer, mas o pai-de-todos de nada sabia. Afinal, sua santidade é imaculável. Os seguidores desta religião – que também pode ser chamada de seita, irmandade – acham que o deus Lula não pode ser julgado pelos homens, as leis terrenas não se aplicam a ele.
O que se vê hoje em solo brasileiro é a completa cegueira religiosa, o fanatismo puro e condicionado em torno de uma pessoa e de seus pupilos. O deus Lula concebeu o parto de deuses menores como Palocci, José Dirceu, Dilma, João Vaccari Neto, João Santana, dentre tantos outros. A religião se espalhou rapidamente em meados da década de 1980, pura como as antigas águas do rio São Francisco.
Para os fanáticos do lulopetismo, quem não adere à religião deve ser violentado – física e psicologicamente -, deve ser taxado dos mais ilógicos e desrespeitosos estereótipos – machista, fascista, elitista, homofóbico, etc. Um ponto primordial da religião é ver todos os infiéis como elitistas, completos individualistas que não se importam com o coletivo – mas não percebem que seu deus compareceu a primeira audiência da justiça humana num jatinho particular que nenhum pobre conseguirá utilizar. Neste processo em questão, o pai dos pobres é acusado de ter recebido ilicitamente um imóvel de luxo extremo, pago com o dinheiro de seus súditos. Por outro lado, o juiz malvado que está tentando denegrir e desmoralizar o deus Lula almoça no tribunal a comida que sua esposa fez em casa – conhecida popularmente como “marmita”.
Os acusadores do deus, conhecidos como Procuradores da República, são espectros demoníacos que tentam destruir Sua Santidade. Os fiéis e fanáticos se armam com facões, máscaras, bombas caseiras e demais artifícios fatais para atacar aqueles que não seguem o lulopetismo.
Este início de segundo milênio está recheado de fanatismo por todo lado, principalmente no Oriente Médio. Para quem acha que cegueira moral só existe do lado de lá, se esquece de que do nosso lado existe um exército de loucos desvairados que não aceitam que seu autoproclamado deus seja julgado por simples homens. Se Lula é deus e nenhum homem pode julgá-lo, ele não será responsabilizado por seus atos?
Ao mesmo tempo em que o lulopetismo coloca num pedestal sua principal divindade, os fiéis tentam transformar a nação em uma sociedade melhor. De que jeito? Separando as pessoas em comuns, que devem responder por seus atos, e guerreiros divinos imaculados que não devem resposta a ninguém. Uma sociedade segregada, injusta e caótica é o que este seguimento busca.
Quem conhece a teologia cristã, sabe que seus preceitos, dogmas e origem derivam de uma religião ainda mais antiga, o judaísmo. Da mesma forma, o lulopetismo tem origens na religião política mais ilusória e sangrenta de todas: o marxismo. O lulopetismo, vertente brasileira do socialismo cultural aplicado, conseguiu deixar como legado mais de 60.000 homicídios por ano – taxa anual maior que a da Síria, que se encontra no meio de uma guerra civil há seis anos; além disso, deixou também cerca de 14.000.000 de desempregados e uma retração econômica que nunca antes se viu registrada: somos recordistas de índices negativos.
Para quem não está inserido nesta religião naufragosa, resta a esperança da justiça dos homens ser aplicada a todos. Seja um antigo presidente ou um ladrão de galinhas, todos são iguais perante a lei. Apesar de tudo isso, aqui vai uma dica: não se preocupe ou tenha medo apenas do Estado Islâmico; o grupo religioso mais fanático que existe está aqui ao nosso lado.


domingo, 16 de abril de 2017

13 Reasons Why: adolescência e vulnerabilidade

            

            13 reasons why não é apenas mais uma série que estourou o noticiário mundial; não é apenas mais um roteiro que trata de assuntos dramáticos. Esta série é um expoente que exemplifica de maneira cinematográfica a vida de milhares de adolescentes mundo afora.
            O roteiro é adaptado do livro homônimo do escritor Jay Asher, entretanto, falarei apenas da produção encabeçada pela artista Selena Gomez.
            A história acompanha uma adolescente, Hannah Baker, que se muda para uma cidade pequena por causa dos negócios do pai – um farmacêutico. Com isso, ela começa a estudar em uma nova escola, Liberty High, e todo o pesadelo se inicia. O debate, entretanto, foge das telas da televisão e adentra a sociedade civil como um tabu a ser discutido com o objetivo maior de ajudar aquelas pessoas que se encontram no mesmo lugar de Hannah.
            Como já disse em outro texto, o ser humano moderno está psicologicamente enfraquecido e perdido, e o suicídio é um fato psicossocial que atinge a população mundial de maneira arrebatadora. O pior: o suicídio é o segundo fator que mais causa mortes entre jovens de 15 a 29 anos, atrás apenas dos acidentes de trânsito.
            Por esta razão, o pensamento suicida deve ser estudado e debatido. Como retratado na série, o bullying é o grande vilão entre os adolescentes. O ambiente de Ensino Médio (High school) é o grande propulsor destes acontecimentos. A adolescência é o período mais conturbado de um ser humano; são mudanças hormonais que levam a pessoa a se sentir perdida, com os medos cada vez mais ganhando força, além da insegurança e das frustrações. Fortes desilusões, brincadeiras de mau gosto, tudo isto para um adolescente psicologicamente vulnerável pode ser o estopim para o pensamento suicida.
            Assim como para Hannah, a vontade de tirar a própria vida vem acompanhada de muitos porquês. Uma pessoa ruim, amizades falsas, traições, fofocas, entre outros. Muitos desses problemas podem passar despercebido e a responsabilidade de cuidar destes imbróglios cabe à escola e à família.
            Muitos dos alunos que influenciaram de maneira negativa a vida de Hannah se sentem culpados, uns sentem remorso e, também, alguns são indiferentes. Após o suicídio, a escola inicia um processo de auxílio psicológico efetivo aos alunos, muito por conta do reconhecimento de culpa moral e do processo legal principiado pelos pais de Hannah.
            Na vida real, as políticas governamentais, estudantis e civis devem ser feitas antes de qualquer ato suicida. O remediar parece ser muito mais fácil que o prevenir, entretanto, nada feito post mortem irá, de fato, ajudar quem já tirou a própria vida; para isso deve-se priorizar as atividades de prevenção.
            Grupos de apoio, atividades dinâmicas de interação, aliadas a um debate sério e um acompanhamento psicossocial são propostas que trazem efeitos e previnem o suicídio – bem como outros problemas na vida do adolescente, tal qual a depressão.
            Por fim, 13 reasons why pode ser uma vanguarda iniciada no meio artístico para sanar um problema social e sanitário. O suicídio é uma calamidade que atinge a raça humana especialmente no século XXI, um século que nos tornou uma espécie vulnerável e fragmentada psicologicamente. 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A falha da lei e a segurança pública atual



         A lei é, em teoria, absoluta, genérica, impositiva. Cabe aos seus aplicadores a interpretação, fiscalização e julgamento, com o objetivo de se efetivar a justiça. Apesar de tudo isso, a lei não resolve os problemas de maneira profunda e permanente. Ela simplesmente dá ordem para a sociedade e o comportamento das pessoas momentaneamente. Ela rege a administração pública, as ações do cidadão comum, dos militares, empresários, jogadores de futebol; ela rege o casamento, a compra e venda, o aluguel; tutela a vida, a liberdade, o patrimônio, dentre infinitas coisas mais. Entretanto, neste infinito de possibilidades, o mais importante ela não consegue influenciar: o animus humano.
          Ao meu ver, a paralisação da Polícia Militar do estado do Espírito Santo demonstra bem isso. Enquanto a corporação patrulhava normalmente as ruas da unidade federativa, pessoas transitavam, entravam em lojas, compravam seus acessórios. Após os policiais entrarem em greve, estes mesmos cidadãos começaram então a praticar crimes, como se em seus interiores sempre houvesse uma alma corrompida.
            O que quero dizer com isso? Quero dizer que dentro daquelas pessoas o espírito delituoso sempre existiu, mas por causa dos agentes da lei fiscalizando e protegendo o patrimônio alheio, estas pessoas nada fizeram. E não há legislação no mundo que mude este cenário introspectivo do indivíduo.
           Uma outra hipótese que recai sobre esse comportamento criminoso do antes cidadão comum pode ser a pior crise econômica já registrada na história do Brasil. O cidadão comum, vendo que o Estado o lesa por meio de impostos abusivos e que o Estado desfragmentou a economia nacional com políticas de intervenção, não conseguiu controlar o sentimento de ética e justiça.  
           Com essa crise da segurança pública capixaba, percebe-se como as polícias no Brasil estão sucateadas e seus agentes completamente desmoralizados e tratados com descaso. Obviamente, a greve dos Policiais Militares do ES demonstra uma situação nacional do caos das forças policiais. 
             Em um estado endêmico de problemas internos e externos, a segurança pública do Rio de Janeiro está muito pior do que a de qualquer outra do Brasil - e até mesmo do mundo. Tanto a Polícia Militar quanto a Civil, no RJ, enfrentam perigos a cada minuto. O tráfico carioca é severamente perigoso e traz, também, problemas para o cidadão de bem e seus agentes protetores. Uma grande parcela da população (engajada pelos ideais de esquerda) denigrem a imagem do policial e, com isso, abre margem para que o bandido seja o grande prejudicado pela violência gerada pelo próprio tráfico. 
             Um ideal liberal que, com absoluta certeza, cessaria de maneira gradual e a médio e longo prazo a violência no Brasil e o caos penitenciário e de segurança pública, é a legalização das drogas e seu uso. Estabelecendo um controle sanitário e securitário da venda, distribuição e uso de substâncias entorpecentes, o Estado conseguiria abrir o mercado e participar da atividade comercial de entorpecentes, tirando das mãos dos bandidos o poder econômico e militar que possuem. Quem vendesse drogas seguindo às normas legislativas não cometeria crime e, por consequência, não seria preso. A grande maioria das penitenciárias brasileiras está lotada por conta da guerra ao tráfico. Se os entorpecentes psicotrópicos fossem legalizados, quem gerisse esse mercado não seria considerado criminoso. 
             Entretanto, aqueles bandidos que cometeram demais crimes no exercício ainda não legalizado de produção, distribuição e venda de drogas, deveriam ser punidos com rigor, com o objetivo de manter uma paz social efetiva. Nenhuma lei de legalização de drogas perdoaria os atos cruéis cometidos pelos atuais chefes desse mercado – que não passam de homicidas buscando dinheiro. 
            O Brasil necessita de uma sociedade civil engajada pela luta da liberdade individual e da limitação do Estado, que resultaria numa atuação estatal de excelência naquilo que o Estado e o governo devem realmente atuar. Com o cidadão politizado, buscaríamos uma frente parlamentar eficaz e séria que efetivasse os anseios mais desesperados da população.